Book Review: Emma de Jane Austen

Resenhas

“Não tenho nenhum motivo que me levasse ao casamento. Se eu estivesse apaixonada, aí seria diferente! Mas nunca apaixonei, não é da minha índole nem da minha natureza. Acredito que nunca me casarei. E, sem amor, tenho certeza de que seria uma tola ao trocar o meu conforto por um casamento. Não preciso de fortuna nem de ocupação, muito menos de posição na sociedade. Acredito que pouquíssimas mulheres são, verdadeiramente, donas de suas casas como eu sou de Hartfield”.

AUSTEN, Jane. 1775-1817. EMMA / JANE AUSTEN, TRADUÇÃO E NOTAS ADRIANA SALES ZARDINI – São Paulo. Martin Claret, 2018. Página 99.

O livro “Emma” foi escrito por Jane Austen e publicado em 1815, após o clássico “Orgulho e Preconceito”. Na época, Austen publicou 2.000 cópias da obra com dinheiro do seu bolso a fim de não perder os seus direitos autorais e destinou 10% do lucro para o editor John Murray II.

Além disso, outra curiosidade, era que James Stanier Clarke, bibliotecário do príncipe regente da época (George IV), não só mostrou as obras de Austen para o príncipe, como também solicitou para que ela dedicasse a sua próxima obra a George IV, e essa obra foi “Emma”.

“Emma” nos conta a história de uma mulher de 20 anos (pelo menos no começo da história) chamada Emma Woodhouse. Ela é uma aristocrata, inteligente e possui bons modos para a época, mas nunca levou os seus estudos muito a diante, sempre aprendendo as coisas superficialmente. O livro também nos mostra uma Emma com bastante compaixão com as classes sociais mais baixas, mas, ao mesmo tempo, como uma mulher com forte apelo à riqueza – isto é: ela gosta dos pobres, desde que eles fiquem “no lugar deles”.

Ela é uma pessoa comum, com suas qualidades e defeitos. Emma vive com o seu pai (Sr. Woodhouse) em Hartfield, perto do vilarejo de Highbury. O pai de Emma é um senhor bastante dócil, mas também hipocondríaco. Ele se diz contra casamentos e lamenta muito que a irmã de Emma (a então Isabella Knightley) tenha casado jovem. Essa visão do pai de Emma a empodera, no sentido de que ela entende ser financeiramente independente e não precisar de um marido para “tomar” os seus bens, de acordo com a lei da época: pois cabe ao marido a administração dos bens da esposa.

Outra característica de Emma é de que ela sempre acredita ter razão em todas as situações. O leitor até acredita que ela realmente entende e sabe o que está fazendo, mas “a voz da razão” aparece que nos faz questionar os pensamentos de Emma. Essa “voz” é George Knightley (Sr. Knightley), irmão mais velho do cunhado de Emma e com quem ela se apaixona no fim do livro.

Um aspecto marcante da literatura de Jane Austen é a figura da irmã. A autora sempre mostrou a importância da sororidade pela figura das irmãs (por exemplo, as irmãs Bennet e Dashwood) e da melhor amiga que se torna uma “irmã” (a relação que Emma possui com Harriet, por exemplo). Harriet Smith é uma garota de classe inferior, jovem, bonita e não muito inteligente.

Emma logo se solidariza com Harriet e cuida dela “debaixo de sua asa”. Um dos objetivos de Emma é encontrar um bom marido para a menina, o que a mete em diversas situações constrangedoras e mal entendidos. Harriet chega na vida de Emma em substituição à Srta. Taylor, sua governanta e responsável por sua educação quando criança, que acabou casando com o Sr. Weston e se tornou a Sra. Weston (assim denominada até o fim do livro).

Um ponto interessante e que eu considero sempre importante a ser ressaltado é a crítica de Austen com relação à educação das mulheres na época. Na medida em que não era permitido que meninas fossem à escola, as meninas da classe alta tinham acesso a uma governanta em casa, que ensinaria tudo o que era necessário para uma “boa dama” saber, como estudo de idiomas estrangeiros, história, música e pintura. Enquanto os homens não eram cobrados de tais habilidades.

Com relação à educação das mulheres retratada acima, outra figura importante que representa a relação que Emma tem com os outros personagens do livro é com Jane Fairfax. Jane é uma garota jovem e altamente talentosa, que causa bastante inveja por parte de Emma – que possui seus altos e baixos ao decorrer no livro.

Outro ponto bastante curioso de Emma, com relação à outras obras de Austen, é que mostra os mais variados tipos de classes sociais, como: Emma Woodhouse (uma aristocrata), Srta. Bates (solteira que vive com a mãe), John Knightley (advogado) e Harriet e Sr. Martin (não possuem parentes importantes).

Caso tenha interesse na obra, segue um link especial da mesma edição do livro que li: Emma

3 Livros para Conhecer Outras Culturas

Listas de Livros

Como já disse, um dos meu focos principais em uma leitura é estudar uma cultura diferente e ver o mundo sob uma nova perspectiva. Assim, selecionei os meus livros prediletos, todos enviados pela Tag Livros, que permitem conhecer uma nova cultura.

Eu assinei o plano de Curadoria da Tag Livros no ano passado e não me arrependi. Gostei bastante da variedade dos livros e do apelo para conhecer diferentes culturas. Hoje sou assinante apenas do plano Inéditos, também da Tag Livros, e estou amando!

Para que não-assinantes interessados pelos livros tenham acesso, deixei em cada título um link para compra do livro (no preço mais barato que encontrei). Infelizmente, os dois últimos só encontrei em inglês (até porque essa é uma das propostas do plano Inéditos, que é ter um livro ainda não lançado no Brasil).

  1. O mundo se despedaça

Esse livro, escrito por Chinua Achebe, é um clássico da literatura nigeriana e já tem sua resenha completa aqui no site! O link está aqui embaixo:

O Mundo se Despedaça

2. Born A Crime: Stories from a South African Childhood (English Edition)

“Nascido do Crime”, em português, é um livro publicado há uns anos atrás pelo comediante Trevor Noah. A obra é excelente para quem busca entender mais sobre a cultura sul africana, em especial durante o período do apartheid. Trata-se uma autobiografia que conta sobre a infância de Trevor Noah, como uma criança mestiça, durante o apartheid – pois as leis do período proibiam a existência de filhos de casais birraciais (o caso de Trevor).

O que mais me admirou no livro foi a história da mãe do Trevor – que sofreu desde o racismo até violência doméstica. Na verdade, acredito que esse livro seja uma homenagem do Trevor para ela. Não encontrei a versão desse livro em português com um preço baixo, então o link desse título te encaminhará para a versão original em inglês (mais barato).

3. Erotic Stories for Punjabi Widows: A hilarious and heartwarming novel (English Edition)

Esse livro de Balli Kaur Jaswal nos dá a oportunidade de mergulhar na maior comunidade Punjabi de Londres, Inglaterra (chamada de Southhall). Nesse livro a gente acaba aprendendo mais sobre a cultura indiana em geral por meio da Nikki, uma garota descendente de indianos que resolve dar aulas de escrita criativa para um grupo de idosas da comunidade de Southhall.

O que Nikki menos esperava era que as senhoras indianas tinham histórias incríveis para contar, principalmente relacionados a contos eróticos que elas criavam oralmente (já que não sabiam escrever). O livro também nos mostra como a comunidade indiana reage aos crimes cometidos contra a mulher em Southhall e abre uma discussão muito importante sobre o tema. Não encontrei a versão desse livro em português com um preço baixo, então o link desse título te encaminhará para a versão original em inglês (mais barato).

5 Casais mais Marcantes da Literatura

Listas de Livros

Aqui vai uma lista super divertida em homenagem ao Dia dos Namorados e das Namoradas! Separei os cinco casais mais marcantes da literatura, na minha opinião. Espero que vocês gostem e me contem se concordam! Ou até se está faltando algum outro casal, na opinião de vocês.

Caso vocês gostem e queiram comprar os livros, há o link de cada um no titulo com o nome da obra! Clique no link para comprar e ser redirecionado para o site da Amazon.

1. Romeu e Julieta

O casal número 1 não poderia ser diferente! A história de amor que moldou tantas outras e se eternizou como um clássico da literatura mundial. Essa história brilhante de Shakespeare emociona muita gente até hoje.

2. Orgulho e preconceito

Aqui vai um dos meus casais prediletos de toda a literatura: Elizabeth Bennet e o famoso Fitzwilliam Darcy (vulgo, Sr. Darcy). Um casal que passou por vários perrengue, desencontros e, o mais importante, situações envolvendo orgulho e preconceito (risos). Os dois personagens foram extremamente importantes para a época e ressuscitaram um romance de alto nível na época, pois havia muito preconceito com o gênero naquele tempo.

3. Dom Casmurro

Bentinho e Capitu com certeza estão na lista de casais literários mais famosos no Brasil. Machado de Assis testa a nossa criatividade e nos leva à famosa dúvida: Capitu traiu ou não o Bentinho? A história é narrada por Betinho, que é um marido ciumento e que desconfia muito de sua esposa, Capitu. Existem várias teorias, o que vocês acham? Traiu ou não traiu? (acho que não).

4. E o vento levou – volume I (edição de bolso)

Um clássico e o único trabalho de Margaret Mitchell narra a história de encontros e desencontros entre Scarlett O’ Hara e o Capitão Rhett K. Butler. O livro é interessantíssimo e se passa durante a guerra civil norte-americana.

5. Grande sertão: Veredas

Considerado como uma obra-prima de João Guimarães Rosa, o quinto casal (não é por ordem de importância, claro) seria Diadorim e Riobaldo. Um casal que se formou no sertão brasileiro e que conta com uma descoberta bastante surpreendente no fim do livro (não vou contar).

A história conta sobre Riobaldo e Diadorim, dois jagunços que vivem no sertão brasileiro. Riobaldo possui diversos questionamentos profundos (lembrando até mesmo O Fausto de Goethe) e Diadorim é seu companheiro de luta, que se coloca nos limites entre a amizade e o relacionamento afetivo de um casal.

5 Curiosidades sobre “Alice no País das Maravilhas”

Listas de Livros

Como vocês sabem (pelo Instagram @thereadingdog), eu reli o livro “Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e o “Através do Espelho e o que Alice Encontrou por Lá”. E acabei me inspirando nesses livros para separar as curiosidades abaixo.

Caso queiram comprar o mesmo livro que li (que conta com as duas histórias e ilustrações muito boas), segue um link de compra que direciona para o site da Amazon: Alice: edição bolso de luxo (Clássicos Zahar): Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá

Também existe essa versão linda da editora DarkSide Books: Alice no País das Maravilhas (Classic Edition)

1. Alice existiu!

Sim, a personagem Alice foi inspirada em uma menina de verdade, conhecida pelo autor Lewis Carroll, chamada Alice Liddell.

2. A Rainha Vitória era fã do livro

Rumores de que a Rainha Vitória, rainha da Inglaterra (no período de 1837 a 1901), amou o livro e pediu para que Lewis Carroll dedicasse a sua próxima obra para ela.

3. O livro foi escrito durante uma viagem de barco

A história foi criada por Lewis Carroll em um passeio de barco com seu amigo Robinson Duckworth e as três filhas do vice-chanceler da Universidade de Oxford. Com o intuito de distrair as meninas, ele acabou criando toda história no mais puro improviso.

4. Há diversos problemas de matemática no decorrer na obra

Como todo bom matemático, Lewis Carroll não deixou de expressar um pouco do seu amor pelos cálculos em seu livro. Há vários truques, como na contagem das casas que Alice percorre no segundo livro, e até as horas que ela estudava por dia, no primeiro livro.

5. O Gato de Cheshire

Ele foi incluído na história pelo autor, junto com o Chapeleiro Maluco, na publicação. Pois ele não existia na versão que Lewis Carroll contou para a Alice no barco. Existe a frase, em inglês, que nos lembra muito o personagem: “sorrir como um gato de Cheshire” (“grinning like a Cheshire cat”).

Muitos acreditam que a possível origem da frase remete-nos a Cheshire, condado na Inglaterra, conhecido pela grande quantidade de quintas leiteiras – daí os gatos sorrirem pela abundância de creme e de leite. Ainda, dizem também que inspiração do gato foi na raça British Shorthair.

Book Review: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

Resenhas

“I’m under absolutely no obligation to make sense to you.”

Compre o livro nesse link: Os sete maridos de Evelyn Hugo

O ícone de Hollywood dos anos 50, Evelyn Hugo, escolhe a jornalista Monique Grant para escrever sobre a sua vida cheia de polêmicas. Todavia, a vida da Evelyn afeta a de Monique de maneira não apenas surpreendente, mas também trágica. A vida da Evelyn é bastante curiosa, complexa e envolve muitos temas como amor, traumas de infância, lealdade e amizade verdadeira. Não há espaço para maniqueísmo no livro, mas apenas o retrato de uma pessoa que parece que, de fato, existiu.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é um livro que te envolve do começo até o fim. Quando você pensa que sabe o fim da história, a autora Taylor Jenkins Reid mostra um resultado totalmente diferente do esperado. É definitivamente um dos meus livros prediletos. Incrivelmente é o livro de estreia de Taylor Jenkins Reid e ela utilizou como inspiração a atriz Elizabeth Taylor e a também atriz Ava Gardner, que revelou detalhes da sua vida no livro “Ava Gardner: The Secret Conversations”. 

A obra foi indicada ao prêmio Goodreads Choice Award na categoria “Best Historical Fiction of 2017”, bem como teve seus direitos reservado para a Freeform e a Fox 21 Television Studios para a produção se uma série, cuja produção será feita por Jennifer Beals e Ilene Chaiken, e Reid Jenkins trabalhará como roteirista. 

Evelyn Hugo tem uma primeira infância bastante difícil com a perda prematura de sua mãe. Assim, ela passa a viver com o seu pai abusivo, mas sai de casa o quanto antes. Ela decide tentar uma carreira de atriz em Hollywood e se utiliza do seu corpo para seduzir os homens influentes do mercado e alcançar um lugar como atriz. 

Todos os casamentos foram de certa forma bastante importantes para a vida de Evelyn Hugo e eram totalmente o oposto do que era noticiado pela grande mídia da época. Nesse review irei me limitar a dois casamentos: com Don Adler e Harry Cameron. Por sinal, Harry é o meu personagem favorito e me apeguei bastante nele durante a leitura.

Don Adler era o homem perfeito de Hollywood: bonito e um ator bem sucedido. Evelyn chegou a de fato se apaixonar por Don, mas mal sabia ela que Don era um agressor e batia em Evelyn. Don era um homem muito prepotente e não aceitava que Evelyn tivesse uma carreira de sucesso tão boa ou melhor que a sua (o que, de fato, está acontecendo). Mas o período durante o casamento de Evelyn e Don é muito importante, pois é quando Evelyn conhece Celia St. James, uma atriz iniciante disposta a ser amiga de Evelyn. 

Evelyn sempre teve muito problemas em confiar nas pessoas devido às dificuldades que ela encontrou durante a sua infância. Ao meu ver, Evelyn sempre viu mulheres como rivais, pois nunca teve uma sensação de maternidade e/ou irmandade antes. Mas ela acaba aceitando o pedido de amizade de Celia. 

Mas por que a amizade com Celia se torna tão importante durante o livro? Porque, na amizade com Celia, Evelyn se descobre como mulher bissexual. Elas se apaixonam e, definitivamente, Evelyn a considera o amor da sua vida. Mas tal amor não seria aceito na sociedade daquela época e ainda elas jamais poderiam se casar por ser ilegal. 

Celia é, de fato, essencial durante a leitura do livro, mas o personagem que realmente acompanhou Evelyn durante toda a sua vida (e que eu consideraria como o amor da vida dela) é Harry Cameron. Ele e Evelyn se conheceram desde o começo da carreira dela e eles são melhores amigos desde então. 

Ele é um homem LGBT (não é possível saber ao certo, mas no livro entende-se que ele é gay) e é apaixonado por John. Em uma manobra muito inteligente, ele se casa com Evelyn e Celia se casa com John, sendo que Evelyn ficaria com Celia e Harry com John. No livro, Evelyn descreve “(…) And we all knew what we were. Two men sleeping together. Married to two women sleeping together. We were four beards. (…) Harry and John were in love. Celia and I were sky-high” (p. 233). E assim, eles vivem o melhor de suas vidas (com altos e baixos) e nasce a filha de Evelyn, Connor Cameron. 

Na minha opinião, Evelyn teve uma vida muito sofrida. Não quis dar muitos detalhes, pois faço questão que vocês leiam o livro e sintam o prazer que tive de lê-lo. Mas, o que me deixa mais triste é ver que ela foi a última a morrer de todos que ela conhecia e de toda a sua família (sim, desde o começo do livro dá para perceber que a Connor morreu antes da mãe). Eu sou uma pessoa chorona, mas esse livro foi um tanto especial para mim, pois nunca chorei tanto. 

A parte que mais emociona (sim, no presente, pois ainda não superei) é a morte do Harry. O amor que existiu na amizade deles foi muito especial e a sensação de perda que a Evelyn sentiu se transmite muito ao leitor. 

5 Livros para aprimorar o Pensamento Crítico

Listas de Livros

Existem algumas obras de alta qualidade que valem serem lidas em qualquer momento na vida, seja no período do colégio, ou até depois da faculdade, pois promovem o pensamento crítico e fornecem uma maior bagagem cultural.

Todos os livros abaixo foram publicados no Instagram @thereadingdog (com as suas respectivas resenhas em inglês). Ainda, todos os títulos embaixo estão em formato de link para a compra direta no meu link especial para o site da Amazon.

  1. O sol é para todos

Esse livro incrível escrito pela Harper Lee está na lista obrigatória de leitura nas escolas de muitos estados no Estados Unidos. Acredito que esse livro tem uma lição muito boa para nos mostrar, pois ele retrata os problemas relacionados com o sistema de justiça, como o formato de julgamento de um tribunal do júri, bem como a maneira que esses problemas conversam com o racismo.

A história é contada por Scout, uma menina que vive em uma cidade fictícia chamada Maycomb, Alabama, durante o período da Grande Depressão nos Estados Unidos (1933-35). Não gostei muito do começo do livro, mas tudo faz sentido quando começa o julgamento de Tom Robinson, um rapaz negro acusado de estuprar uma mulher branca. No fim do livro, todos percebem que Tom é inocente, mas a justiça precisa ser feita e o livro nos mostra que ele acaba sendo julgado como culpado pelo simples fato de ser negro e estar em uma sociedade racista.

2. Fahrenheit 451

Fahrenheit 451 de Ray Bradbury é um clássico e deveria sim se tornar uma leitura obrigatória de todas as escolas. Acho que esse livro conversa muito com a realidade que estamos vivendo agora, em especial, no que diz respeito ao excesso de informações que recebemos diariamente de todos os tipos de mídias.

A obra nos conta um pouco sobre uma sociedade futurista em que os livros se tornaram obsoletos e, logo depois, proibidos. O pensamento crítico e a reflexão são atos proibidos nessa sociedade. O foco da história é o bombeiro Guy Montag, pois os bombeiros são alienados a pensar que existem para queimar livros (logo, gerar fogo) e não apagar incêndios. Durante a leitura, também caímos em outro ponto que é o revisionismo na história.

3. A revolução dos bichos: Um conto de fadas

Estava demorando para começar a falar sobre o gênio George Orwell. “Revolução dos Bichos” é uma sátira política referente ao período Stalinista na Rússia soviética. Mas que é possível enquadrar em quase todas as ditaduras (passadas e atuais) no mundo. Há temas como manipulação da população, privilégios concentrados em uma classe dominante, bem como a criação de um inimigo em comum.

O livro conta a história de uma fazenda pequena e má administrada na Inglaterra. Os animais, cansados da situação em que viviam, resolveram fazer uma revolução em busca de uma sociedade mais justa e livre para os animais. Todavia, a revolução é traída e um porco chamado Napoleão assume a liderança da sociedade dos animais.

4. O povo contra a democracia: Por que nossa liberdade corre perigo e como salvá-la

Esse livro é bastante novo comparado aos demais e foi escrito por Yascha Mounk. Ele nos dá uma análise completa dos motivos pelos quais as pessoas desacreditam cada vez mais no modelo democrático e o movimento atual política da extrema-direita chegando ao poder em diversos países.

Ao meu ver, conseguimos aplicar a realidade retratada por Mounk nos Estados Unidos, Europa e parcialmente no Brasil.

5. O mundo assombrado pelos demônios

Esse livro incrível foi escrito pelo astrofísico Carl Sagan (amo!) e nos conta um pouco sobre o método científico e o pensamento crítico, em detrimento de explicações pseudocientíficas e místicas que tomam bastante espaço na mídia. Acredito que estamos em um momento muito parecido com o que o livro retrata, o que faz com que a sua leitura se torne indispensável.

Ainda, acho que o livro reflete em todo momento o amor que Sagan sente pela ciência.

Book Review: Os Sonhadores – Karen Thompson Walker

Resenhas

Este livro é bastante interessante e se encaixa, em muitos aspectos, ao que vivemos durante o isolamento social/quarentena relacionado ao COVID-19. É uma ficção científica escrita pela estadunidense Karen Thompson Walker, publicada em janeiro de 2019.

O livro conta a história de uma cidade chamada Santa Lora, localizada no sudeste do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, que é atingida por um vírus que faz com que as pessoas infectadas durmam por um tempo indeterminado. A história acompanha personagens que tinham como contato comum a universidade da cidade, isto é, professores, alunos e um funcionário da limpeza.

Ainda, o livro se enquadra no gênero “romance psicológico”. Esse gênero literário enfatiza na narrativa os motivos íntimos de cada personagem e não se prende aos condicionantes exteriores. Logo, o foco é em comportamentos que saem das memórias do inconsciente para o consciente de cada personagem. Exemplos bastante conhecidos por nós são “Dom Casmurro” de Machado de Assis, “Crime e Castigo” de Dostoievski, “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë e “São Bernardo” de Graciliano Ramos.

Todos os acontecimentos da história são extremamente bem estudados por Walker, como as medidas médicas a serem tomadas em caso de epidemia e a questão da interpretação dos sonhos. Mas acredito que, dentre os pontos que podem ser melhorados, está a forma com que a história é escrita, pois poderia haver um maior suspense e emoção no decorrer dos acontecimentos, em especial ao tratar dos sonhos de Rebecca com o seu filho.

O enredo começa nos contando um pouco sobre Mei, uma garota que divide seu dormitório na faculdade com a primeira vítima do vírus. Assim, acompanhamos todos os procedimentos de contenção da doença dentro do campus da faculdade por meio do psicológico e acontecimentos da vida de Mei. Paralelamente, existem outras três histórias: (i) Rebecca, uma estudante que contrai o vírus no início de sua gestação; (ii) Thomas Peterson, um funcionário da limpeza da universidade e interessado por teorias conspiratórias, que tenta proteger suas duas filhas Sara e Libby; (iii) Nathaniel, professor de biologia da faculdade, e seu parceiro Henry – que possui um sintoma contraintuitivo ao vírus, pois ele volta a falar após anos em coma; (iv) Ben e Annie, um casal que acaba de se mudar para Santa Lora com a sua filha recém-nascida, após conseguirem uma vaga como professores na universidade; e (v) Catherine, uma médica chamada para estudar o vírus.

A cidade é isolada em uma corrente sanitária e, aos poucos, os cidadãos infectados acordam. Entretanto, ocorre um incêndio no local em que as pessoas infectadas estão internadas, e Mei acaba morrendo por conta do incêndio. Eu interpretei a morte de Mei como a “desvantagem de ser invisível”, pois ninguém acabou lembrando de a socorrer desacordada. Até mesmo o seu amigo, Matthew, salva o bebê recém-nascido de Ben e Annie, mas não se lembra da amiga – o que me fez lembrar também de uma conversa que Mei e Matthew tiveram sobre critérios objetivos de preferência para salvar vidas, como a idade e a saúde. Logo, ele mantém o seu ideal e acaba salvando um bebê – cuja perspectiva de vida é maior que a de Mei.

Cada personagem tem uma reação diferente ao despertar do sono causado pelo vírus. Thomas Peterson sonha com acontecimentos que ele acredita serem premonições, Libby sonha com memórias que nunca viveu com a sua falecida mãe e Rebecca sonha que cuidou de seu filho por 40 anos e que já é avó, o que a faz despertar com a mente de uma senhora. Assim, ao fim do livro, revela-se que todos os que dormiram em Santa Lora, em decorrência do vírus, sonharam com as vidas que eles nunca viveram.  

5 Livros Curtos e Atemporais

Listas de Livros

Esse vai para quem procura uma uma leitura mais rápida e de alta qualidade. Selecionei alguns livros curtos que tenho em casa (considerei “curto” como menos de 200 páginas) para vocês conhecerem.

Todos os títulos abaixo estão com um link especial para a compra de cada um dos livros no site da Amazon.

1. O Homem de Areia (Contém um Conto)

Essa é uma história é perfeita para quem procura um livro mais ligado ao terror, com uma pegada bastante mórbida e assustadora. Ele é o primeiro conto do livro intitulado Die Nachtstücke (Noturnos) de E. T. A. Hoffmann, publicado em 1817.

A escrita do livro é feita no formato de cartas enviadas por Nathanael, um sujeito, no mínimo, desequilibrado. Quando era criança, seus pais diziam que se as crianças não fossem para a cama mais cedo, o Homem da Areia iria chegar para capturá-las (muito parecido com o nosso Bicho Papão). O Homem da Areia era um homem perverso que chegava quando as crianças não iam para a cama, jogava areia nos olhos delas, fazendo com que eles saltassem fora. Ele então colocava os olhos num saco e os levava para alimentar seus filhos na lua.

2. O estrangeiro

Esse livro é vencedor do Prêmio Nobel de Literatura e a obra mais famosa do escritor Albert Camus. O livro faz parte da “trilogia do absurdo” de Camus e está diretamente ligado com a filosofia existencialista. O livro conta sobre a trajetória de Meursault após a morte de sua mãe. Ele é um homem movido somente pelas experiências sensoriais e sem objetivos futuros, fazendo com que ele haja de maneira inconsequente.

Logo, Camus nos apresenta que o mundo não possui sentido, e que cabe aos humanos atribuirem algum valor a ele.

3. A Metamorfose – Edição Exclusiva Amazon

A Metamorfose (Die Verwandlung) é um livro escrito por Franz Kafka e publicado em 1915. É a obra mais estudada do autor e foi escrita em cerca de 20 dias. A história conta a história de Gregor Samsa, um caixeiro viajante, que sustenta a sua família e precisa pagar a dívida dos pais. Até que em um certo dia, Gregor Samsa acorda como um inseto enorme e nojento (ninguém disse que era uma barata haha). Como um inseto monstruoso, ele passa por diversos problemas, como rejeição de sua família.

4. Dos delitos e das penas: 48

Esse clássico de Cesare Beccaria foi publicado em 1764 e era uma crítica ao sentido dos métodos de punição feitos pelo Estado em face de indivíduos que cometiam delitos, como pena de morte e o uso da tortura como meio para obtenção de confissões e provas acusatórias. É um dos grandes primeiros marcos de algum direito com teor humanitário e foi um livro escrito muito a frente do seu tempo de maneira inovadora e revolucionária.

5. Histórias de Cronópios e de Famas

O livro foi escrito por Julio Cortázar, um dos mais importantes escritores latino-americanos, foi publicado em 1962 e trata de três tipos de personagens: (i) os cronópios, que são os personagens que não atribuem importância exagerada às coisas; (ii) os famas, que são totalmente o contrário dos cronópios; e as (iii) esperanças, que são as preguiçosas, desanimadas e sedentárias. É uma leitura leve e divertida, além do que nos faz relacionar com pessoas da nossa vida. Todos nós já conhecemos algum cronópio, famas e esperanças.

Indicação de livros para fugir da realidade

Listas de Livros

Vivemos em momentos difíceis por conta da pandemia do COVID-19 e muitas pessoas preferem se distrair com um bom livro durante o período de isolamento social. Tendo em vista essa ideia de “fuga da realidade”, selecionei os livros abaixo para quem procura uma boa distração em um novo universo.

A maioria dos livros, curiosamente, são nomes de seus personagens principais.

Todos os livros podem ser comprados pelo melhor preço no link especial em cada título. Boa leitura!

  1. Coleção Harry Potter – 7 volumes

Esse clássico de J. K. Rowling faz com que a gente viaje com o Harry, personagem principal, em um mundo mágico paralelo ao nosso. Quem nunca esperou a sua carta de Hogwarts? Haha.

É um livro muito bom para reler também, pois no decorrer no livro, Harry se descobre no mundo novo dos bruxos e acabamos aprendendo as coisas com ele.

2. H.P. Lovecraft – Medo Clássico – Vol. 1 – Myskatonic Edition: O mestre dos mestres para todas as gerações

Esse livro é para aqueles que buscam o “lado negro da força” e curtem uma boa história de terror. Ele reúne uma seleção especial de contos e novelas do autor H. P. Lovecraft, um clássico dos clássicos do terror. Essa edição é muito linda e super trabalhada pela editora DarkSide Books, a primeira editora brasileira dedicada à histórias de terror e fantasia no Brasil.

3. Norwegian Wood

Esse livro foi publicado em 1987 e é o livro que fez Murakami se tornar um ícone. A obra tem como foco a transição da adolescência para a vida adulta por meio de Toru Watanabe, um jovem estudante de teatro que vive em um alojamento estudantil para homens.

Ele se sente muito sozinho do alojamento e começa a estudar cada um de seus companheiros de quarto até que reencontra Naoko, a namorada de Kizuki, um amigo de infância de Toru que cometeu suicídio. Toru e Naoko se aproximam e dividem essa tragédia e problemas psicológicos, em especial de Naoko.

4. Emma

Essa obra é muito bem trabalhada por Jane Austen e o foco é acompanharmos Emma em suas tentativas de formar casais entre seus amigos e conhecidos. Emma Woodhouse, uma mulher de 21 anos com uma grande beleza e super inteligente. Ela é uma mulher independente e rica que vive com o seu pai em Hartfield, interior da Inglaterra perto do vilarejo de Highbury.

O que me deixa muito surpresa nesse livro é o tipo de personagem feminina que Emma representou para a época (foi publicado em 1815), pois ela deixa claro que ela não busca um casamento (a não ser que se apaixone perdidamente), pois é rica e quer fazer companhia para seu pai. Mas, ao fim, Emma se apaixona por George Knightley, um grande amigo seu.

5. Anna Karênina: Romance em oito partes

Um romance clássico de Kiev Tolstói publicado entre 1875 e 1877 e é um clássico do realismo literário. O livro conta a história de Anna Kariênina, uma aristocrata russa, que entra em um caso extra-conjugal com o Conde Vronsky. Anna precisa decidir se irá enfrentar um divórcio com seu esposo Alexey Karenin, mas tal decisão não é fácil devido às pressões que ela pode enfrentar pela sociedade russa czarista. Mas, após uma viagem, ela fica paranóica com a infidelidade de Vronsky e perde o controle.

A obra também descreve a história de Konstantin Levin, um homem que encontra dificuldades para formar uma família.

5 Livros de Terror para Crianças

livros infantis

Esse post é dedicado para os amantes de livros de terror e suspense que querem mostrar um pouco desse amor para alguma criança especial, seja ela filho, irmão, sobrinho, afilhado, amigo etc., ou até para a criança gótica que vive em nós haha.

Todos os títulos abaixo estão com um link especial para a compra de cada um dos livros no site da Amazon.

1. A Vida Não Me Assusta – Maya Angelou

Eu indico esse livro para todas as idades. É um livro incrível com poemas da Maya Angelou e ilustrado por pinturas e desenhos de Jean-Michel Basquiat. As ilustrações são brilhantes e conversam de maneira única com os poemas.

Os poemas tratam de diversas situações que exigem coragem, que vão desde enfrentar leões e dragões até bullying na escola. Não importa o que ocorra, nada irá assustar. O livro nos mostra que precisamos ser corajosos em diversas situações na vida e te faz refletir bastante nesse sentido. Na minha opinião, a mensagem do livro é sempre perseverar, não importa o que cruzar o seu caminho.

2. O Monstro Dentro Do Armario – Carla Chaubet

Quem nunca ficou com medo de uma fresta aberta do armário escuro no quarto? Esse livro contra a história de uma menina que enfrenta esse medo e acaba fazendo uma nova amizade.

3. O Fantástico Alfabeto Lovecraft: Lovecraft para todos

Esse livro é definitivamente um dos meus prediletos. “O Fantástico Alfabeto Lovecraft”, escrito por Jason Ciaramella, foi o primeiro livro infantil da editora DarkSide Books. Ele é incrível e tem como proposta mostrar o alfabeto com base nos personagens dos contos do autor H. P. Lovecraft (que até parecem fofos nas ilustrações de Greg Murphy).

O formato do livro é bastante interessante, pois ele é capa dura e tem as pontas arredondadas.

4. Coraline

Coraline de Neil Gaiman é um clássico e acredito que a maioria de nós já tenha ouvido falar desse livro. Esse livro ganhou os prêmios Hugo e Nebula Award e o Bram Stoker Award. Eu sempre tive (e até hoje tenho) muito medo dessa história, mas acho que vale a leitura para crianças acima de 7 anos.

A história conta sobre um outro mundo, encontrado por Coraline em uma porta da sua casa nova, que seria uma cópia do seu apartamento. Nesse novo mundo ela encontra a Outra Mãe e o Outro Pai, que são uma réplica do seus pais, entretanto, com peças de botão no lugar dos seus respectivos olhos. Esses “outros pais” causam problemas e Coraline precisa salvar os seus pais verdadeiros.

5. Historias de Terror Para Criancas Estranhas

Esse livro é de Rebeca Puig com ilustrações de Rebeca Prado. Eu sempre amei livros de contos e esse me representou muito. Esse livro é para todas as crianças “estranhas”. Mas afinal, o que seria uma criança estranha? Ela é aquela que já torceu para o vilão e sempre tentou enxergar as histórias de maneira diferente daquela imposta para nós.