Book Review: Emma de Jane Austen

Book Review: Emma de Jane Austen

“Não tenho nenhum motivo que me levasse ao casamento. Se eu estivesse apaixonada, aí seria diferente! Mas nunca apaixonei, não é da minha índole nem da minha natureza. Acredito que nunca me casarei. E, sem amor, tenho certeza de que seria uma tola ao trocar o meu conforto por um casamento. Não preciso de fortuna nem de ocupação, muito menos de posição na sociedade. Acredito que pouquíssimas mulheres são, verdadeiramente, donas de suas casas como eu sou de Hartfield”.

AUSTEN, Jane. 1775-1817. EMMA / JANE AUSTEN, TRADUÇÃO E NOTAS ADRIANA SALES ZARDINI – São Paulo. Martin Claret, 2018. Página 99.

O livro “Emma” foi escrito por Jane Austen e publicado em 1815, após o clássico “Orgulho e Preconceito”. Na época, Austen publicou 2.000 cópias da obra com dinheiro do seu bolso a fim de não perder os seus direitos autorais e destinou 10% do lucro para o editor John Murray II.

Além disso, outra curiosidade, era que James Stanier Clarke, bibliotecário do príncipe regente da época (George IV), não só mostrou as obras de Austen para o príncipe, como também solicitou para que ela dedicasse a sua próxima obra a George IV, e essa obra foi “Emma”.

“Emma” nos conta a história de uma mulher de 20 anos (pelo menos no começo da história) chamada Emma Woodhouse. Ela é uma aristocrata, inteligente e possui bons modos para a época, mas nunca levou os seus estudos muito a diante, sempre aprendendo as coisas superficialmente. O livro também nos mostra uma Emma com bastante compaixão com as classes sociais mais baixas, mas, ao mesmo tempo, como uma mulher com forte apelo à riqueza – isto é: ela gosta dos pobres, desde que eles fiquem “no lugar deles”.

Ela é uma pessoa comum, com suas qualidades e defeitos. Emma vive com o seu pai (Sr. Woodhouse) em Hartfield, perto do vilarejo de Highbury. O pai de Emma é um senhor bastante dócil, mas também hipocondríaco. Ele se diz contra casamentos e lamenta muito que a irmã de Emma (a então Isabella Knightley) tenha casado jovem. Essa visão do pai de Emma a empodera, no sentido de que ela entende ser financeiramente independente e não precisar de um marido para “tomar” os seus bens, de acordo com a lei da época: pois cabe ao marido a administração dos bens da esposa.

Outra característica de Emma é de que ela sempre acredita ter razão em todas as situações. O leitor até acredita que ela realmente entende e sabe o que está fazendo, mas “a voz da razão” aparece que nos faz questionar os pensamentos de Emma. Essa “voz” é George Knightley (Sr. Knightley), irmão mais velho do cunhado de Emma e com quem ela se apaixona no fim do livro.

Um aspecto marcante da literatura de Jane Austen é a figura da irmã. A autora sempre mostrou a importância da sororidade pela figura das irmãs (por exemplo, as irmãs Bennet e Dashwood) e da melhor amiga que se torna uma “irmã” (a relação que Emma possui com Harriet, por exemplo). Harriet Smith é uma garota de classe inferior, jovem, bonita e não muito inteligente.

Emma logo se solidariza com Harriet e cuida dela “debaixo de sua asa”. Um dos objetivos de Emma é encontrar um bom marido para a menina, o que a mete em diversas situações constrangedoras e mal entendidos. Harriet chega na vida de Emma em substituição à Srta. Taylor, sua governanta e responsável por sua educação quando criança, que acabou casando com o Sr. Weston e se tornou a Sra. Weston (assim denominada até o fim do livro).

Um ponto interessante e que eu considero sempre importante a ser ressaltado é a crítica de Austen com relação à educação das mulheres na época. Na medida em que não era permitido que meninas fossem à escola, as meninas da classe alta tinham acesso a uma governanta em casa, que ensinaria tudo o que era necessário para uma “boa dama” saber, como estudo de idiomas estrangeiros, história, música e pintura. Enquanto os homens não eram cobrados de tais habilidades.

Com relação à educação das mulheres retratada acima, outra figura importante que representa a relação que Emma tem com os outros personagens do livro é com Jane Fairfax. Jane é uma garota jovem e altamente talentosa, que causa bastante inveja por parte de Emma – que possui seus altos e baixos ao decorrer no livro.

Outro ponto bastante curioso de Emma, com relação à outras obras de Austen, é que mostra os mais variados tipos de classes sociais, como: Emma Woodhouse (uma aristocrata), Srta. Bates (solteira que vive com a mãe), John Knightley (advogado) e Harriet e Sr. Martin (não possuem parentes importantes).

Caso tenha interesse na obra, segue um link especial da mesma edição do livro que li: Emma

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