Amizade Literária: “O conde de Monte Cristo” de Alexandre Dumas

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Uma amizade que começa em meio ao desespero e na solidão. Quando os olhos se acostumam com o escuro e até mesmo a sua própria voz assusta… Foi nesse contexto que surge o meu personagem predileto da obra “O Conde de Monte Cristo”.

O abade Faria foi um personagem que instigou a minha criatividade e que ainda me faz sentir emocionada ao lembrar de sua trajetória no livro. Toda vez que ele aparecia (ou era mencionado), as lágrimas de emoção e admiração surgiam nos meus olhos… precisei ler 2x (pelo menos) toda vez que ele apareceu no livro.

Ele é uma figura que levarei comigo para a vida. Ele é um gênio e sinto como se fosse alguém que eu tivesse conhecido no trabalho ou na roda de amigos. Sinto um carinho muito grande por ele e me encanta saber que ele foi baseado em uma pessoa real: o nome do moço era Abade Torri.

Me peguei imaginando várias possibilidades para ele dentro do universo do livro, então a sensação de “e se…?” foi a minha companheira nessa leitura. Acho inevitável não imagina-lo em diversas situações… até porque ele foi decisivo no livro. 

Assim como no livro, para mim, ele é a luz que aparece no escuro da solidão e da tristeza. “Luz” tanto no sentido iluminista, pois é a razão que nos coloca no chão, quanto de conforto em um ambiente escuro e hostil.

Queria muito me estender e falar sobre cada ponto que admiro nele… mas vou apenas recomendar que leiam a obra-prima que é “O conde de Monte Cristo” e espero que se encantem com o personagem assim como eu ❤️

Book Review: “O retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde

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“There is no such thing as a moral or an immoral book” – Oscar Wilde

“O retrato de Dorian Gray”, escrito por Oscar Wilde, sempre foi um clássico fascinante para mim. É um daqueles livros que “todo mundo já conhece a história”, mas que nunca se lembra como acaba. O Dorian é um personagem que ficou no imaginário coletivo, por ser complexo e parte de um enredo único (que só poderia ter sido pensado, genialmente, por Wilde).

O livro que foi condenado pela imprensa britânica há mais de 130 anos como “vulgar”, “impuro” e “venenoso” tem uma escrita linda e crítica. Wilde não mede palavras para apontar as diversas facetas da sociedade daquele período, no que tange à hipocrisia na maneira em que a classe alta vivia.

Sobre o protagonista, no decorrer da minha leitura, vi (e tive) diversas opiniões sobre Dorian Gray: inocente, culpado, vilão e incompreendido. Mas acho que a impressão que ficou é a de que Dorian é a combinação do pior de sua classe e momento histórico (livro recheado de críticas excelentes feitas por Wilde). Ele vive nos extremos (hedonista, egoísta e sedutor) e é um reflexo de tudo aquilo que os moralistas condenam e vivem ao mesmo tempo.

Dorian foi, para mim, o grande desafio que Wilde impõe na obra. Esse desafio acontece pela posição que Wilde nos coloca como a própria sociedade moralista e, até mesmo, como cúmplices do Dorian. Essa cumplicidade é a parte mais difícil, pois Dorian é uma pessoa desprezível e é muito difícil sentir alguma empatia por ele. Por isso que Dorian desafia o leitor o tempo todo… “ele era bom e se tornou mal?”, “ele sempre foi assim, era questão de tempo?” e outras diversas dúvidas chegam após a leitura do livro. 

Uma coisa é certa: esses questionamentos (combinados com a escrita impecável e sedutora de Wilde) fazem o livro ser atemporal. É um livro incrível para quem gosta de explorar a questão da moralidade e até mesmo construção da personalidade de um personagem.

Book Review: “Eva Luna” de Isabel Allende

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“Eva Luna” de Isabel Allende é um livro único. A obra é leve, mas não deixa de tratar de diversos temas: política, feminismo, sexualidade e multiculturalidade.

Eva Luna é uma mulher que viveu parte da sua vida à margem da sociedade. Ela era tão invisibilizada que sequer tinha uma família ou documentos pessoais. Eva passou a infância toda trabalhando como empregada doméstica em diversas casas, mas o trabalho nunca a impediu de expor o seu talento para todos: o dom de contar histórias.

Eva possui uma criatividade gigantesca e consegue contar um número infinito de histórias. Talvez esse talento seja fruto de seu grande e apaixonado coração, que sempre acaba se envolvendo com um rapaz novo.

A obra nos permite acompanhar essa menina talentosa e apaixonada desde seu nascimento até a vida adulta. A curiosidade e o talento de Eva é o grande protagonista desta obra, pois a leva para diversas situações únicas.

O que mais gostei da leitura: como a Eva possui grande sensibilidade com sentimentos e como ela reconhece o grande amor da sua vida.

No decorrer da leitura, nos sentimos mais próximos da própria Isabel Allende, pois sentimos que ela projetou suas próprias características em Eva.

Concluindo: eu indico essa obra para todos! Em especial, para as pessoas que buscam uma leitura poética, fluida e criativa.

Book Review: “Nós e Eles” de Bahiyyih Nakhjavani

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“Nós e eles” foi o meu segundo contato com o trabalho de Bahiyyih Nakhjavani. Achei a obra totalmente diferente de “O alforje” (meu primeiro contato), mas sem perder a linda escrita da autora.

A obra inteira é contada na primeira pessoa do plural, pois o objetivo da autora é englobar todas as facetas persas ao redor do mundo (por conta da diáspora iraniana). Essa narrativa do “nós/eles” é intercalada entre os capítulos da história sobre uma idosa (Bibi) que deixa o Irã e viaja entre as casas de suas duas filhas em Paris (Lili) e Los Angeles (Goli).

Os personagens se encontram de diversas maneiras mostrando o quanto a comunidade é interligada. Todos são de gerações diferentes e possuem uma perspectiva conjunta – essa questão geracional é bem explorada em Lili e Goli com relação à mãe delas.

Não achei que foi uma leitura simples, pois ela exige bastante atenção por parte do leitor. Mas acho que foi uma ótima leitura e indico para todos que querem ter contato com uma cultura/vivência diferente.

A leitura da obra foi feita com o pessoal do @clubelivrosdelei (https://www.instagram.com/clubelivrosdelei), que tem como propósito ler mulheres contemporâneas de culturas diferentes.

Book Review: “Persuasão” de Jane Austen

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Que delícia começar o ano com Jane Austen! “Persuasão” foi uma leitura bastante diferente comparado com as outras obras da escritora. Foi bastante aprofundado em questões maduras, como o sentimento de solidão, arrependimento e amor até.

A obra foi parcialmente baseada na própria vida de sua autora e consegui me sentir mais próxima ainda da Jane no decorrer da leitura. Pensar que ela pode ter passado por situações parecidas com as da personagem principal fez meu coração apertar um pouco. Mas eu sei que, assim como Anne, Jane era corajosa e destemida.

O livro nos conta um pouco sobre Anne Elliot, uma mulher de 27 anos, que acaba por reencontrar o seu ex-noivo (Capitão Wentworth), agora um oficial da marinha. Eles não haviam ficado juntos pois ele foi considerado como um homem sem tradições e sem conexões familiares importantes. E Anne precisará lidar com a convivência num mesmo ambiente em que seu ex-amado kk.

Nessa leitura conseguimos acompanhar os sentimentos de Anne e o quanto ela é uma personagem acessível. Ela não é exageradamente destemida e ousada como muitas heroínas de Austen… ela é apenas a Anne. Ela é individual, complexa por si mesma e isso basta. Por isso acho que ela é a heroína mais paupável das obras de Jane Austen.

Talvez essa proximidade que criamos com Anne se dá pelo fato de Jane Austen ser a própria inspiração da personagem. Assim, sabemos como realmente uma pessoa comum agiria ou se sentiria nas situações retratadas na obra.

Indico a leitura para todo mundo! Em especial, para aqueles que já conhecem a escritora e podem valorizar essa aproximação que sentimos em “Persuasão”.

Book Review: “Little Women” de Louisa May Alcott

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“Little Women” de Louisa May Alcott é uma dessas obras quase impossíveis de resenhar, na minha opinião. É um livro complexo (sim, bem mais do que parece) e que me fez sentir como se tivesse deixado um pedaço de mim com o livro, e um pedaço dele em mim.

Eu fico pensando nos personagens mesmo depois de ter terminado a obra, pois ela é tão envolvente que faz a gente se sentir como se fôssemos amigos deles. Nesse livro dá para sorrir, chorar e se surpreender bastante.

“Mas Anna, o que tem de tão profundo e complexo em um livro infanto-juvenil?” Vamos lá: acho muito superficial achar que livros destinados ao público jovem não podem ser complexos. Não olhar profundamente Little Women é perder a melhor parte da obra: ver que, apesar das adversidades, as meninas são criadas para serem donas de seu próprio destino – algo que as confunde, pois a sociedade impõe justamente o contrário.

São mulheres de vida simples e que amadurecem durante o livro. Então conseguimos ver elas aprendendo coisas que já aprendemos no decorrer da nossa vida (daí que vem o que ouvi bastante aqui: “é um livro moralista”). Não achei moralista, porque nós aprendemos as mesmas coisas que as personagens aprenderam (se ferrando ou acertando), tanto na relação entre irmãs/amigas quanto nos objetivos de vida em geral. Então é natural que elas levem esporros na obra e ainda se critiquem por terem pensado/agido de certa maneira.

Outro ponto interessante é que as quatro irmãs são totalmente diferentes entre si e seguem rumos igualmente distintos. A genialidade de Louisa é capturar vários tipos de personalidades e criar destinos próprios para cada um dos personagens.

O livro é repleto de reviravoltas e eu acho que vale muito a pena ler! A leitura flui super bem e nos acolhe. Jo March é minha heroína.

Book Review: “A honra perdida de Katharina Blum” de Heinrich Böll

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“A honra perdida de Katharina Blum” ou “De como surge a violência e para onde ela pode levar” de Heinrich Böll é um livro bastante rápido e intenso. Escrito da maneira bem jurídica.

O livro é resultado do teste que Böll faz para ver o limite que o sensacionalismo das mídias pode causar na vida das pessoas comuns por meio de difamações e violências psicológicas. Além de ser também uma crítica que o escritor fez ao jornal alemão Bild, conhecido por ser super sensacionalista.

Nesse teste, vemos uma jovem chamada Katharina Blum, que trabalha como empregada doméstica e possui um ar empreendedor. Ela combina 100% com o seu nome: Katharina, tem origem no grego katharós, que quer dizer “casta, pura”, e Blum é muito parecido com Blume (flor, em alemão). Logo, ela é uma moça super casta mesmo, e conhecida como “freira” pelos seus amigos.

Katharina sempre teve uma vida parada e de pouca emoção (já que trabalhou desde os 12 anos como doméstica e sofreu abusos). Mas, em um belo dia, ela conhece um rapaz em uma festa de Carnaval, se apaixona e o leva para sua casa.

Só que, mal sabia ela (ou sabia? rs), que ele era vigiado pela polícia e suspeito de cometer assassinatos e furtos à bancos. Ele seria o conhecido “terrorista” dos anos 70 na Alemanha (crítica latente de Böll). E Katharina é considerada pela polícia como suspeita de ajudá-lo a escapar dos olhos da polícia após a noite em sua casa.

Todos nessa obra são suspeitos da polícia, mas não do jornal. O jornal já incrimina Katharina de diversos crimes e ataca a sua moral de maneira intensa, com uma manchete nova todos os dias. Ela, que sempre foi conservadora e reservada, se vê vítima de diversas mentiras e manipulações do jornal (sem nome) que queria ganhar dinheiro às custas de seu sofrimento e exposição.

O machismo grita nessa obra. Desde as manchetes do jornal até mesmo a atuação dos policiais. Algo nojento e cheio de julgamentos. Katharina é julgada por tudo e todos do início ao fim da obra.

Aqui vemos que, mesmo em uma democracia consolidada, é possível que um indivíduo perca todos os seus direitos fundamentais. Indico fortemente esse livro e tem vídeo vindo por aqui!

Book Review: “O corcunda de Notre-Dame” de Victor Hugo

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Antes de ler a resenha, peço que esqueça TUDO o que sabe sobre o corcunda do filme da Disney. O Quasímodo, nome do corcunda sineiro da Catedral de Notre-Dame, é completamente mais real e adequado para o seu mundo.

Como esperar bondade e amor de quem sempre ganhou risadas e maus tratos? Como esperar carinho de quem só levou tapada em uma sociedade medieval? Aqui nós precisamos colocar nossos pés no chão e entender esse personagem complexo de Victor Hugo. O corcunda é tão genial que conseguiu encontrar amor em um ambiente sem esperança tomado pelo terrorismo de Estado e religioso.

O retrato de uma Paris medieval é PERFEITO. Não tem outra palavra para descrever, pois Victor Hugo estudou tudo com muito detalhe e carinho. Você se sente no período por causa da descrição perfeita do cenário da obra e também pelos institutos da época.

A obra gira em torno de alguns personagens centrais. Tudo começa com Frollo, o padre, que resgata Quasímodo do abandono quando criança. Em um belo dia, o padre e o corcunda acabam conhecendo uma jovem cigana chamada Esmeralda – e aí que o negócio pega! Porque Esmeralda acaba encantando todo mundo e fazendo que ocorra diversas reviravoltas na vida de todos os personagens da obra (sem exceções).

A obra veio em um período que se pensava em derrubar a catedral. Victor Hugo, bastante preocupado, escreveu a obra como uma forma de preservá-la: mostrando o quanto ela é interessante, importante e deixava de lado. Muitos acham que o corcunda é a própria representação do que pensavam da catedral na época, como algo estranho e feio.

Na minha opinião de leitora, o protagonista da obra é Esmeralda. Ela quem faz os altos e baixos da obra, sendo heroína e vítima. Ela é um ícone de resistência em Paris: mulher, criada por ciganos (egípcios, como falavam na época) e trabalhadora das ruas.

Book Review: “A casa dos espíritos” de Isabel Allende

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Está aí um livro que vale muito a pena ler! “A casa dos espíritos” não combina muito com o seu título, porque ele é bem mais do que isso. É um livro sobre feminismo e política, sobre amor e luta. Acredito que seja uma obra dedicada à democracia.

É uma obra profunda e que nos apresenta a família Trueba, cheia de personagens complexos. No decorrer da leitura, a gente acompanha a vida de Clara Del Vale e Esteban Trueba até chegar na terceira geração contada a partir da geração dos dois. Complexo? Sim, então vamos lá: acompanhamos a obra desde a infância/adolescência dos dois até a terceira geração deles (que seriam os netos). Tudo isso está na sinopse do livro! Sem spoilers rsrs

O feminismo é a base da obra. Ele aparece de todos os modos: seja pela relação que a sociedade machista tem com as mulheres ou seja pela relação que as mulheres têm entre si. A vida de todas as personagens femininas é um ato de resistência, mas cada uma à sua maneira.

O realismo mágico aparece de forma incrível e que faz a obra se tornar mais leve. A Clara é a protagonista neste sentido, pois é clarividente e traz um pouco de “racionalidade” para os acontecimentos, dando uma breve explicação do porquê das coisas. Eu não quero me estender mais, porque acho especial ir descobrindo no decorrer na leitura.

O maravilhoso desse livro está nos detalhes e no fim da leitura, quando descobrimos quem está narrando a obra para nós. Eu chorei por muito tempo de pura emoção depois de terminar o livro, e depois chorei de novo na última discussão do Clube Livros de Lei. Vale muito a pena a leitura, independentemente de gênero e idade.

“Caminhos da Esquerda” de Ruy Fausto

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Esse livro é uma análise incrível dos caminhos que a esquerda brasileira tomou no Brasil e, um pouco, no mundo. O livro é resultado de um artigo publicado pelo autor na revista Piauí.

Ruy Fausto tem um senso crítico super apurado e consegue analisar de maneira sensata (ao meu ver) os erros que os partidos de esquerda brasileiros cometeram nos últimos anos, além de nos oferecer um panorama geral histórico por atrás de cada um desses erros.

A proposta do livro é apresentar novas alternativas e criar uma esquerda mais autêntica no país. Ele busca por um projeto democrático, anticapitalista, antipopulista e com consciência ecológica. Acredito que todos esses pontos são muito bem elaborados do livro.

Uma coisa que me chamou a atenção foi que, independentemente da nossa posição política, acabamos sendo bastante antidemocráticos muitas vezes. E ele mostra eventos que permitem com que a gente faça até mesmo uma autocrítica das nossas próprias condutas políticas. Por exemplo, até onde protestos em faculdade deixam de ser democráticos?

No fim do livro, Ruy Fausto incluiu respostas aos críticos de seu artigo (que virou o livro) e acho sensacional. O livro é uma porta aberta ao diálogo e a esperança por uma esquerda mais fortalecida em tempos de intolerância e fragilização.