Book Review: “Crime e castigo” de Fiódor Dostoiévski

Book Review: “Crime e castigo” de Fiódor Dostoiévski

“Crime e Castigo” de Fiódor Dostoiévski é um livro especial. Ele enxerga humanidade em situações que poucas pessoas conseguem enxergar, como no cárcere e na situação de extrema pobreza.

É um exercício de empatia e é uma obra de tamanha sensibilidade que mal consigo exprimir um pouco do que senti durante a leitura. Esse livro é um convite para todo o tipo de gente ler e até mesmo se conhecer como pessoa. Eu me considero muito empática, mas esse livro consegue surpreender a qualquer um.

Dostoiévski conseguiu captar em sua obra a vida miserável da população pobre de São Petersburgo e criar um clássico da literatura universal.

Esse clássico nos conta um pouco sobre Raskólnikov, um jovem estudante de Direito, que vive em situação de extrema miséria. Em um momento de desespero, ele comete um crime brutal e acaba por sofrer as consequências de seus atos.

Assim como em Macbeth, uma das maneiras que ele sofre as consequências é pela sua própria consciência. De uma forma extremamente humana, Dostoiévski faz a gente ver o negacionismo de Raskólnikov e até mesmo questionamentos válidos sobre a estrutura da sociedade.

Surgem os seguintes questionamentos: Qual a diferença na responsabilidade daqueles que matam outros em guerra comparando com um assassino comum? Qual o sentido em prender pessoas por 30 anos em uma cadeia? Como cobrar sanidade das pessoas que vivem no extremo?

O que me chamou atenção foi o rótulo de criminoso. Raskólnikov lida com esse conflito de “ser ou não ser”, pois não é algo que existe, mas sim uma imposição social por uma conduta desviante. E conseguimos sentir isso “na pele” do Raskólnikov.

Ele é uma pessoa complexa como todas nós. Acredito que, acima de tudo, Raskólnikov é extremamente bom. Ele salva crianças de incêndios e vê bondade em todos independente de preconceitos. Isso que torna o exercício de empatia e sensibilidade ainda mais profundo e especial.

Que livro incrível! Tenho muito mais para falar sobre ele… mas vou me segurar aqui e ainda publicarei um vídeo explorando mais o crime e o castigo da obra. Muito obrigada por ler até aqui e espero que você tenha tido vontade de conhecer essa obra-prima da literatura universal.

Book Review: Mrs. Dalloway de Virginia Woolf

Book Review: Mrs. Dalloway de Virginia Woolf

Caso queira comprar o livro, é só clicar no link aqui do lado: Mrs. Dalloway

O livro Mrs. Dalloway foi publicado em 1925 e foi a quarta obra da autora. Nesse período, Woolf já era considerada como uma escritora de prestígio. Ela viveu com seu marido, Leonard Woolf, na Tavistock Square, em Bloomsbury.

Esse foi um livro bastante difícil de ler, para mim. É preciso fazer uma leitura atenta e cuidadosa para entender todos os aspectos do livro. Eu acho esse livro bastante próximo da nossa vida cotidiana, mas, ao mesmo tempo, super distante por conta dos conflitos e ideias da época retratada na obra. O que achei mais fascinante foi a viagem que fazemos nos pensamentos dos personagens e no psicológico de cada um.

Outro ponto incrível é como a gente fica submerso nos pensamentos dos personagens, e como isso se mistura com as descrições do narrador e os monólogos dos próprios personagens. Ainda, todos são apresentados da maneira em que são vistos pelos outros, sem uma imparcialidade.

Toda a história, cronologicamente, se passa em um dia de junho de 1923 em Londres. Clarissa Dalloway estava muito preocupada com os preparativos de uma festa que daria na noite deste dia. Ela é casada com Richard Dalloway, um homem de grande prestígio, e por isso ela se sente orgulhosa e no dever de acolher seus amigos em festas feitas por ela mesma.

O que Clarissa não esperava era reencontrar Peter Walsh, um rapaz que fora apaixonado por ela na juventude. Esse encontro fez com que a personagem se sinta velha e entre em uma crise existencial. Para completar tal reflexão, um sobrevivente de guerra chamado Septimus Warren Smith se mata, apesar dos esforços de sua jovem esposa preocupada.

Senti que foi um grande choque para Clarissa quando a notícia do suicídio de Septimus chegou em sua festa. Posso entender que foram duas “Clarissas” que se encontraram: a que vivia pela própria imagem e outra que estava em uma crise existencial. Ela se sente perseguida pelos fantasmas do passado e sem forças para combatê-los.

O tempo incomoda a Clarissa, como podemos ver em “outrageous to be interrupted at eleven o’clock on the morning of the day she was giving a party”. Fora as dúvidas quanto “o que é o amor?” que surgem na personagem, que vão desde Peter até um romance homossexual.

Book Review: “A Flecha de Deus” de Chinua Achebe

Book Review: “A Flecha de Deus” de Chinua Achebe

“Assim como a luz do dia afugenta a escuridão, da mesma forma o homem branco desmanchará todos os nossos costumes”

ACHEBE, Chinua. A Flecha de Deus; Tradução Vera Queiroz da Costa e Silva. São Paulo: Companhia das Letras, 2011 (p. 123). 

“A Flecha de Deus” foi o segundo livro de Chinua Achebe que li (sendo o primeiro “O Mundo se Despedaça”) e achei que deu para mergulhar ainda mais no universo das comunidades originárias da região da Nigéria. Para comprar o livro, segue um link especial de compra na Amazon: A flecha de Deus

Eu achei que “A Flecha de Deus” foi bastante diferente comparado com “O Mundo se Despedaça”, pois existe uma alternância na perspectiva dos colonizadores e de Ezeulu, o sumo sacerdote e líder político de Umuaro (uma aldeia no interior da Nigéria).

A história se passa em Umuaro durante a década de 1920. De acordo com a religião local Igbo, Ezeulu é o representante do Deus Ulu e uma figura super poderosa não apenas na vila, como também em todos os vilarejos vizinhos.

O livro começa com um combate entre Umuaro e Okperi, um vilarejo próximo, que é interrompido pela presença de Winterbottom, um colonizador britânico da região. Ele quebra as armas de ambas as comunidades como um “recado” para que parassem o conflito. Os próprios personagens interpretam como se fosse um “pai parando uma briga entre os filhos”.

Paralelamente, logo após esse acontecimento, surge John Goodcountry, um missionário cristão que tenta converter as populações locais ao cristianismo e afirma que vilarejos perto do Delta do Nilo já haviam se convertido.

Voltando para os protagonistas, ao decorrer da leitura, a gente percebe que Winterbottom fica gravemente doente e que os costumes da região já estavam ficando muito afetados pela presença dos colonizadores. Ezeulu manda o seu filho estudar a religião cristã para entender o seu funcionamento e “entender” o inimigo (que seriam os missionários europeus). Outros personagens africanos que foram adaptados aos costumes britânicos aparecem também.

Todavia, o que ninguém esperava era que Ezeulu é convidado para uma reunião com Winterbottom, na qual o britânico oferece um título para o líder e propõe que ele faça parte da Administração Britânica Colonial. Ezeulu nega o título e fica preso por 20 dias pelos colonizadores. Ao retornar para Umuaro, Ezeulu se depara com uma comunidade sem colher o inhame (alimento base), pois este só deveria ser colhido após uma cerimônia, que não havia ocorrido por depender da presença de Ezeulu (que estava preso).

Mas Ezeulu afirma que não irá realizar tão cedo a cerimônia, em respeito à vontade do Deus Ulu, que queria dar uma “punição” para a aldeia. Os membros importantes da comunidade pediram para que a cerimônia fosse marcada, pois muitas pessoas estavam passando fome, mas Ezeulu não muda a sua posição. Assim, a comunidade culpa Ezeulu pela fome que se espalhou.

John Goodcountry aparece na comunidade e propõe que eles se convertam ao cristianismo para poderem comer os inhames e um tipo de “imunidade” aos deuses africanos por estarem descomprimido Ulu. Muitas pessoas já haviam perdido a fé e enviam os seus filhos para a nova religião.

A frase “Flecha de Deus” é extraída de um provérbio Igbo no qual se diz que uma pessoa, ou às vezes um evento, representa a vontade de Deus. 

Book Review: A Abadia de Northanger de Jane Austen

Book Review: A Abadia de Northanger de Jane Austen

“Aquele que, homem ou mulher, não sente prazer na leitura de um bom romance deve ser insuportavelmente estúpido”.

AUSTEN, Jane (1775-1817). A Abadia de Northanger / Jane Austen, tradução de Roberto Leal Ferreira – São Paulo: Martin Claret, 2018.

Como parte do especial de Jane Austen que preparei nessa semana, resolvi publicar um review de “A Abadia de Northanger” da escritora. Li a versão em livro publicada pela Martin Claret. Caso tenha interesse, segue o link especial para compra: A Abadia de Northanger

O livro, que foi inicialmente intitulado Susan, começa com um aviso de Jane Austen para os leitores referente às diferenças culturais que podem ser encontradas no decorrer da leitura. Isso porque há uma diferença de 13 anos entre o período em que ela escreveu até a sua publicação. “Pede-se, pois, ao leitor que não se esqueça de que se passaram treze anos desde que ela foi terminada, muitos mais desde que foi iniciada, e, durante tal período, lugares, maneiras, livros e opiniões sofreram mudanças consideráveis” (p. 8).

Ainda, uma curiosidade bem legal sobre a obra: “Após a morte de Jane Austen, que ocorre em 18 de julho de 1817, seu irmão Henry Austen faz publicar o romance, no final de dezembro de 1817 (a data de 1818, na página de título, resulta dos inúmeros desencontros e confusões acerca da publicação), e o título é mudado, provavelmente por Henry Austen, para Northanger Abbey. Talvez assim evocaria os romances góticos, em voga na época, apresentando castelos misteriosos”. Fonte

O livro começa nos mostrando um pouco a vida de Catherine Morland com a sua família em um vilarejo em Wiltshire. Todavia, assim que ela tem idade o suficiente para frequentar à festas e conhecer outras pessoas, ela parte com o Sr. e a Sra. Allen para Bath, uma cidade grande, para frequentar o ciclo social.

Nos bailes, Catherine acaba conhecendo a Isabella Thrope e se tornam muito amigas. James, o irmão de Catherine (e que por acaso estava na cidade), se apaixona por Isabella e o Sr. Thorpe (irmão de Isabella e amigo de James) se apaixona por Catherine. Mas, ao conhecer melhor o Sr. Thorpe, ela percebe como ele é um rapaz chato, desagradável e que só pensa em falar de cavalos e carruagens.

Bath se torna um lugar especial quando Catherine conhece Henry Tilney, e aproxima-se da irmã dele, Eleanor, com quem faz amizade. Ela se apaixona por Henry Tilney e se torna a garota mais feliz do mundo quando é convidada para ir à Abadia de Northanger, propriedade da família Tilney. Ela acredita que essa é a sua oportunidade de viver suas aventuras sombrias em mosteiros góticos.

Nessa hora que eu me apaixonei pela história! Toda a rotina de Bath foi interessante (principalmente para quem se interessa na cultura no período “regency England”), mas nada como a ida para Northanger. Foi nessa hora da história que eu comecei a sonhar sozinha imaginando tudo junto com a Catherine.

Ela se dá bem como todo mundo, inclusive com o Sr. Tilney (pai de Eleanor e Henry), mas chega a um ponto que é praticamente “expulsa” do nada. Depois descobrem que o Sr. Tilney a expulsou por conta de uma conversa que ele teve com o Sr. Thorpe (idiota). Como ele estava apaixonado por Catherine e não aceitou que ela teria escolhido o cortejo de Henry, ele decidiu falar coisas horríveis de Catherine para o Sr. Tilney, que, preocupado, a expulsou.

Mas, como sempre, tudo terminou bem e ela é pedida em casamento por Henry.

5 Curiosidades sobre “Alice no País das Maravilhas”

5 Curiosidades sobre “Alice no País das Maravilhas”

Como vocês sabem (pelo Instagram @thereadingdog), eu reli o livro “Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e o “Através do Espelho e o que Alice Encontrou por Lá”. E acabei me inspirando nesses livros para separar as curiosidades abaixo.

Caso queiram comprar o mesmo livro que li (que conta com as duas histórias e ilustrações muito boas), segue um link de compra que direciona para o site da Amazon: Alice: edição bolso de luxo (Clássicos Zahar): Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá

Também existe essa versão linda da editora DarkSide Books: Alice no País das Maravilhas (Classic Edition)

1. Alice existiu!

Sim, a personagem Alice foi inspirada em uma menina de verdade, conhecida pelo autor Lewis Carroll, chamada Alice Liddell.

2. A Rainha Vitória era fã do livro

Rumores de que a Rainha Vitória, rainha da Inglaterra (no período de 1837 a 1901), amou o livro e pediu para que Lewis Carroll dedicasse a sua próxima obra para ela.

3. O livro foi escrito durante uma viagem de barco

A história foi criada por Lewis Carroll em um passeio de barco com seu amigo Robinson Duckworth e as três filhas do vice-chanceler da Universidade de Oxford. Com o intuito de distrair as meninas, ele acabou criando toda história no mais puro improviso.

4. Há diversos problemas de matemática no decorrer na obra

Como todo bom matemático, Lewis Carroll não deixou de expressar um pouco do seu amor pelos cálculos em seu livro. Há vários truques, como na contagem das casas que Alice percorre no segundo livro, e até as horas que ela estudava por dia, no primeiro livro.

5. O Gato de Cheshire

Ele foi incluído na história pelo autor, junto com o Chapeleiro Maluco, na publicação. Pois ele não existia na versão que Lewis Carroll contou para a Alice no barco. Existe a frase, em inglês, que nos lembra muito o personagem: “sorrir como um gato de Cheshire” (“grinning like a Cheshire cat”).

Muitos acreditam que a possível origem da frase remete-nos a Cheshire, condado na Inglaterra, conhecido pela grande quantidade de quintas leiteiras – daí os gatos sorrirem pela abundância de creme e de leite. Ainda, dizem também que inspiração do gato foi na raça British Shorthair.

Book Review: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

Book Review: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

“I’m under absolutely no obligation to make sense to you.”

Compre o livro nesse link: Os sete maridos de Evelyn Hugo

O ícone de Hollywood dos anos 50, Evelyn Hugo, escolhe a jornalista Monique Grant para escrever sobre a sua vida cheia de polêmicas. Todavia, a vida da Evelyn afeta a de Monique de maneira não apenas surpreendente, mas também trágica. A vida da Evelyn é bastante curiosa, complexa e envolve muitos temas como amor, traumas de infância, lealdade e amizade verdadeira. Não há espaço para maniqueísmo no livro, mas apenas o retrato de uma pessoa que parece que, de fato, existiu.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é um livro que te envolve do começo até o fim. Quando você pensa que sabe o fim da história, a autora Taylor Jenkins Reid mostra um resultado totalmente diferente do esperado. É definitivamente um dos meus livros prediletos. Incrivelmente é o livro de estreia de Taylor Jenkins Reid e ela utilizou como inspiração a atriz Elizabeth Taylor e a também atriz Ava Gardner, que revelou detalhes da sua vida no livro “Ava Gardner: The Secret Conversations”. 

A obra foi indicada ao prêmio Goodreads Choice Award na categoria “Best Historical Fiction of 2017”, bem como teve seus direitos reservado para a Freeform e a Fox 21 Television Studios para a produção se uma série, cuja produção será feita por Jennifer Beals e Ilene Chaiken, e Reid Jenkins trabalhará como roteirista. 

Evelyn Hugo tem uma primeira infância bastante difícil com a perda prematura de sua mãe. Assim, ela passa a viver com o seu pai abusivo, mas sai de casa o quanto antes. Ela decide tentar uma carreira de atriz em Hollywood e se utiliza do seu corpo para seduzir os homens influentes do mercado e alcançar um lugar como atriz. 

Todos os casamentos foram de certa forma bastante importantes para a vida de Evelyn Hugo e eram totalmente o oposto do que era noticiado pela grande mídia da época. Nesse review irei me limitar a dois casamentos: com Don Adler e Harry Cameron. Por sinal, Harry é o meu personagem favorito e me apeguei bastante nele durante a leitura.

Don Adler era o homem perfeito de Hollywood: bonito e um ator bem sucedido. Evelyn chegou a de fato se apaixonar por Don, mas mal sabia ela que Don era um agressor e batia em Evelyn. Don era um homem muito prepotente e não aceitava que Evelyn tivesse uma carreira de sucesso tão boa ou melhor que a sua (o que, de fato, está acontecendo). Mas o período durante o casamento de Evelyn e Don é muito importante, pois é quando Evelyn conhece Celia St. James, uma atriz iniciante disposta a ser amiga de Evelyn. 

Evelyn sempre teve muito problemas em confiar nas pessoas devido às dificuldades que ela encontrou durante a sua infância. Ao meu ver, Evelyn sempre viu mulheres como rivais, pois nunca teve uma sensação de maternidade e/ou irmandade antes. Mas ela acaba aceitando o pedido de amizade de Celia. 

Mas por que a amizade com Celia se torna tão importante durante o livro? Porque, na amizade com Celia, Evelyn se descobre como mulher bissexual. Elas se apaixonam e, definitivamente, Evelyn a considera o amor da sua vida. Mas tal amor não seria aceito na sociedade daquela época e ainda elas jamais poderiam se casar por ser ilegal. 

Celia é, de fato, essencial durante a leitura do livro, mas o personagem que realmente acompanhou Evelyn durante toda a sua vida (e que eu consideraria como o amor da vida dela) é Harry Cameron. Ele e Evelyn se conheceram desde o começo da carreira dela e eles são melhores amigos desde então. 

Ele é um homem LGBT (não é possível saber ao certo, mas no livro entende-se que ele é gay) e é apaixonado por John. Em uma manobra muito inteligente, ele se casa com Evelyn e Celia se casa com John, sendo que Evelyn ficaria com Celia e Harry com John. No livro, Evelyn descreve “(…) And we all knew what we were. Two men sleeping together. Married to two women sleeping together. We were four beards. (…) Harry and John were in love. Celia and I were sky-high” (p. 233). E assim, eles vivem o melhor de suas vidas (com altos e baixos) e nasce a filha de Evelyn, Connor Cameron. 

Na minha opinião, Evelyn teve uma vida muito sofrida. Não quis dar muitos detalhes, pois faço questão que vocês leiam o livro e sintam o prazer que tive de lê-lo. Mas, o que me deixa mais triste é ver que ela foi a última a morrer de todos que ela conhecia e de toda a sua família (sim, desde o começo do livro dá para perceber que a Connor morreu antes da mãe). Eu sou uma pessoa chorona, mas esse livro foi um tanto especial para mim, pois nunca chorei tanto. 

A parte que mais emociona (sim, no presente, pois ainda não superei) é a morte do Harry. O amor que existiu na amizade deles foi muito especial e a sensação de perda que a Evelyn sentiu se transmite muito ao leitor. 

Book Review: Os Sonhadores – Karen Thompson Walker

Book Review: Os Sonhadores – Karen Thompson Walker

Este livro é bastante interessante e se encaixa, em muitos aspectos, ao que vivemos durante o isolamento social/quarentena relacionado ao COVID-19. É uma ficção científica escrita pela estadunidense Karen Thompson Walker, publicada em janeiro de 2019.

O livro conta a história de uma cidade chamada Santa Lora, localizada no sudeste do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, que é atingida por um vírus que faz com que as pessoas infectadas durmam por um tempo indeterminado. A história acompanha personagens que tinham como contato comum a universidade da cidade, isto é, professores, alunos e um funcionário da limpeza.

Ainda, o livro se enquadra no gênero “romance psicológico”. Esse gênero literário enfatiza na narrativa os motivos íntimos de cada personagem e não se prende aos condicionantes exteriores. Logo, o foco é em comportamentos que saem das memórias do inconsciente para o consciente de cada personagem. Exemplos bastante conhecidos por nós são “Dom Casmurro” de Machado de Assis, “Crime e Castigo” de Dostoievski, “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë e “São Bernardo” de Graciliano Ramos.

Todos os acontecimentos da história são extremamente bem estudados por Walker, como as medidas médicas a serem tomadas em caso de epidemia e a questão da interpretação dos sonhos. Mas acredito que, dentre os pontos que podem ser melhorados, está a forma com que a história é escrita, pois poderia haver um maior suspense e emoção no decorrer dos acontecimentos, em especial ao tratar dos sonhos de Rebecca com o seu filho.

O enredo começa nos contando um pouco sobre Mei, uma garota que divide seu dormitório na faculdade com a primeira vítima do vírus. Assim, acompanhamos todos os procedimentos de contenção da doença dentro do campus da faculdade por meio do psicológico e acontecimentos da vida de Mei. Paralelamente, existem outras três histórias: (i) Rebecca, uma estudante que contrai o vírus no início de sua gestação; (ii) Thomas Peterson, um funcionário da limpeza da universidade e interessado por teorias conspiratórias, que tenta proteger suas duas filhas Sara e Libby; (iii) Nathaniel, professor de biologia da faculdade, e seu parceiro Henry – que possui um sintoma contraintuitivo ao vírus, pois ele volta a falar após anos em coma; (iv) Ben e Annie, um casal que acaba de se mudar para Santa Lora com a sua filha recém-nascida, após conseguirem uma vaga como professores na universidade; e (v) Catherine, uma médica chamada para estudar o vírus.

A cidade é isolada em uma corrente sanitária e, aos poucos, os cidadãos infectados acordam. Entretanto, ocorre um incêndio no local em que as pessoas infectadas estão internadas, e Mei acaba morrendo por conta do incêndio. Eu interpretei a morte de Mei como a “desvantagem de ser invisível”, pois ninguém acabou lembrando de a socorrer desacordada. Até mesmo o seu amigo, Matthew, salva o bebê recém-nascido de Ben e Annie, mas não se lembra da amiga – o que me fez lembrar também de uma conversa que Mei e Matthew tiveram sobre critérios objetivos de preferência para salvar vidas, como a idade e a saúde. Logo, ele mantém o seu ideal e acaba salvando um bebê – cuja perspectiva de vida é maior que a de Mei.

Cada personagem tem uma reação diferente ao despertar do sono causado pelo vírus. Thomas Peterson sonha com acontecimentos que ele acredita serem premonições, Libby sonha com memórias que nunca viveu com a sua falecida mãe e Rebecca sonha que cuidou de seu filho por 40 anos e que já é avó, o que a faz despertar com a mente de uma senhora. Assim, ao fim do livro, revela-se que todos os que dormiram em Santa Lora, em decorrência do vírus, sonharam com as vidas que eles nunca viveram.  

5 Livros de Terror para Crianças

5 Livros de Terror para Crianças

Esse post é dedicado para os amantes de livros de terror e suspense que querem mostrar um pouco desse amor para alguma criança especial, seja ela filho, irmão, sobrinho, afilhado, amigo etc., ou até para a criança gótica que vive em nós haha.

Todos os títulos abaixo estão com um link especial para a compra de cada um dos livros no site da Amazon.

1. A Vida Não Me Assusta – Maya Angelou

Eu indico esse livro para todas as idades. É um livro incrível com poemas da Maya Angelou e ilustrado por pinturas e desenhos de Jean-Michel Basquiat. As ilustrações são brilhantes e conversam de maneira única com os poemas.

Os poemas tratam de diversas situações que exigem coragem, que vão desde enfrentar leões e dragões até bullying na escola. Não importa o que ocorra, nada irá assustar. O livro nos mostra que precisamos ser corajosos em diversas situações na vida e te faz refletir bastante nesse sentido. Na minha opinião, a mensagem do livro é sempre perseverar, não importa o que cruzar o seu caminho.

2. O Monstro Dentro Do Armario – Carla Chaubet

Quem nunca ficou com medo de uma fresta aberta do armário escuro no quarto? Esse livro contra a história de uma menina que enfrenta esse medo e acaba fazendo uma nova amizade.

3. O Fantástico Alfabeto Lovecraft: Lovecraft para todos

Esse livro é definitivamente um dos meus prediletos. “O Fantástico Alfabeto Lovecraft”, escrito por Jason Ciaramella, foi o primeiro livro infantil da editora DarkSide Books. Ele é incrível e tem como proposta mostrar o alfabeto com base nos personagens dos contos do autor H. P. Lovecraft (que até parecem fofos nas ilustrações de Greg Murphy).

O formato do livro é bastante interessante, pois ele é capa dura e tem as pontas arredondadas.

4. Coraline

Coraline de Neil Gaiman é um clássico e acredito que a maioria de nós já tenha ouvido falar desse livro. Esse livro ganhou os prêmios Hugo e Nebula Award e o Bram Stoker Award. Eu sempre tive (e até hoje tenho) muito medo dessa história, mas acho que vale a leitura para crianças acima de 7 anos.

A história conta sobre um outro mundo, encontrado por Coraline em uma porta da sua casa nova, que seria uma cópia do seu apartamento. Nesse novo mundo ela encontra a Outra Mãe e o Outro Pai, que são uma réplica do seus pais, entretanto, com peças de botão no lugar dos seus respectivos olhos. Esses “outros pais” causam problemas e Coraline precisa salvar os seus pais verdadeiros.

5. Historias de Terror Para Criancas Estranhas

Esse livro é de Rebeca Puig com ilustrações de Rebeca Prado. Eu sempre amei livros de contos e esse me representou muito. Esse livro é para todas as crianças “estranhas”. Mas afinal, o que seria uma criança estranha? Ela é aquela que já torceu para o vilão e sempre tentou enxergar as histórias de maneira diferente daquela imposta para nós.

Book Review: O Mundo se Despedaça – Chinua Achebe (PT)

Book Review: O Mundo se Despedaça – Chinua Achebe (PT)

“O homem branco é muito esperto. Chegou calma e pacificamente com sua religião. Nós achamos graça nas bobagens deles e permitimos que ficasse em nossa terra. Agora, ele conquistou até nossos irmãos, e o nosso clã já não pode atuar como tal. Ele cortou com uma faca o que nos mantinha unidos, e nós despedaçamos.” (ACHEBE, Chinua, 1958 [2019], p. 198).

Um dos motivos pelos quais eu decidi criar um blog foi o espaço para poder discutir sobre livros. Aqui apresentarei um pouco do livro “O Mundo se Despedaça” de Chinua Achebe com base na leitura feita por mim, contexto histórico da sua publicação e um texto de Noshua Amoras de Morais e Silva (referência abaixo).

Chinua Achebe, nascido em 16 de novembro de 1930 em Ogidi, no Protetorado britânico da Nigéria, foi um dos mais conhecidos autores africanos de todo o século XX. Achebe é mais conhecido por suas duas principais obras: Things Fall Apart (“O Mundo se Despedaça”, em inglês) e There Was a Country – A Personal History of Biafra. Dentre os principais temas de suas obras, estão a depreciação da cultura africana pela cultura eurocentrica e os efeitos da colonização da África pelos europeus, os quais são o foco do livro que iremos analisar mais em frente.

O que acho importante sobre o background do autor para a análise do livro é que Achebe nasceu em 1930, exatamente 30 anos antes da independência da Nigéria como colônia britânica na África (1 de outubro de 1960). Logo, Achebe vivenciou uma Nigéria sob domínio colonial britânico e foi criado na cultura tradicional Igbo.

O povo Igbo é um dos maiores grupos étnicos na Africa, sendo que a maioria de sua população localiza-se no sul e oeste da Nigéria. De acordo com o Ecos da Leitura da Tag Livros, verifica-se que existem vestígios Igbos que datam de mais de 1500 anos.

“O Mundo se Despedaça” foi publicada em 1958, quando Achebe tinha 28 anos, e nos conta um pouco da desintegração da cultura Igbo após a chegada e missionários europeus. O livro é dividido em três partes e tem como protagonista um homem chamado Okonkwo.

Okonkwo é um famoso lutador do povo Igbo em Umuófia, com um passado ruim por conta de seu pai, mas que conseguiu se reerguer dentro da comunidade. Ele é considerado um homem de sucesso dentro da comunidade, pois possui três esposas e uma boa colheita em seu compound. Na primeira parte do livro, Achebe nos mostra com detalhes a cultura do povo Igbo em diversos aspectos: culto aos ancestrais, religiosidade e até a posição da mulher na comunidade.

De acordo com Noshua Amoras, a primeira rachadura do mundo de Okonkwo se dá quando uma criança da comunidade morre pela sua arma, sendo uma grande ofensa aos deuses da terra. Sendo assim, como punição, Okonkwo e sua família tiveram que se mudar para Mbanta por sete anos. Mbanta é o clã da mãe do protagonista.

Em Mbanta, Okonkwo participava das conversas com os líderes da comunidade. Nessas conversas, haviam comentários sobre missionários europeus tentando contato com outras tribos próximas e até construindo igrejas. Pouco tempo depois, os missionários chegaram à Mbanta e pediram permissão os líderes locais para a construção de uma igreja.

Os líderes, para afastar os missionários, autorizaram para que fizessem a Igreja em um local chamado Floresta Maldita, terreno que geralmente fazia com que as pessoas sofressem. E, para piorar a situação, os missionários não sofreram no referido terreno e o filho de Okonkwo, Nwoye, se junta aos missionários.

Segundo Noshua Amoras, o mundo de fato se despedaça para Okonkwo quando ele volta à Umuófia e percebe que o homem branco já havia se instalado no local e construído uma igreja. Assim, Okonkwo convive com os brancos em sua tribo e repara como a sua cultura estava morrendo com o fortalecimento da cultura europeia e imposições feitas pela igreja.

Ele tenta organizar uma resistência para expulsar os homens brancos de seu território, mas tal medida não vai para frente, pois o clã percebe que não tem armas suficientes para guerrear com as armas dos brancos e, não suficiente, guerrear contra os brancos seria a mesma coisa que guerrear com parte de seus irmãos, que acabaram se convertendo para a religião cristã.

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Book Review: A Pequena Sereia – Louise O’Neill

Book Review: A Pequena Sereia – Louise O’Neill

“Seu pai tem insistido em me chamar de “bruxa”. Este é simplesmente um termo que os homens dão às mulheres que não tem medo deles, às mulheres que se recusam à submissão” (p. 89)

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Este review possui informações super importantes que podem ser consideradas como spoiler, mas não revelarei o fim da história.

Esse livro é uma releitura da história da Pequena Sereia, que ficou muito famosa por conta do seu filme da Disney. Essa foi a primeira releitura que li e a achei muito boa. Os tópicos abordados por Louise O’Neill são de grande complexidade e ela conseguiu criar um universo novo e atual para o cenário do filme da Disney. Estou utilizando o filme como base, pois não li o conto de Hans Christian Andersen. 

Achei incrível como muitos pontos (até sem sentido) da história original (filme), fazem mais sentido nessa releitura. Nessa versão, a princesa se chama Gaia e as sereias vivem sobre a monarquia absolutista do Rei dos Mares. Nessa monarquia, ele é o dono da verdade e faz uma grande alienação para toda a sua população no sentido de vender a ideia de que é o ser mais poderoso do oceano e que a economia está boa (digo economia, mas no livro há a menção de que existe fome nos arredores do palácio real, fato negado pelo Rei). O Rei dos Mares também mostra uma postura racista (ao meu ver, mais uma vez) e busca uma certa uniformidade na aparência da sua população.

Todos que contestam o Rei dos Mares será penalizado, mas não o livro não demonstrou como tal pena funcionaria. O único exemplo que temos é a morte da mãe da Gaia, então esposa do Rei dos Mares. Mas esse ponto será discutido mais em breve. 

Esse livro tem uma abordagem feminista bastante crítica, pois o reino do pai de Gaia é extremamente machista. O machismo fica evidente no momento em que as mulheres não são autorizadas a emitir opiniões e são limitadas a serem bonitas, apenas. Ainda, o sucessor do reino apenas poderá ser um homem. Os casamentos das filhas do rei são arranjados e os maridos escolhidos pelo próprio rei. De acordo com o seu pai, Gaia estava destinada a casar com um homem idoso, enquanto ela tinha apenas 15 anos. 

Um fato curioso desse universo é de que as meninas “se tornam mulheres” quando fazem quinze anos e são autorizadas a nadar até a superfície, sendo proibido qualquer contato com humanos. Há bastante medo dos humanos, pois acredita-se que a rainha (mãe de Gaia) morreu capturada por eles. Mas depois descobrem que não foi verdade.

Assim que fez quinze anos, Gaia decidiu subir até a superfície e avistou um grupo de jovens adultos (eles tinham cerca de dezoito anos) e se apaixona por um deles. O garoto se chama Oliver e tem uma namorada, o que deixa Gaia bastante decepcionada. Durante um naufrágio do barco em que os jovens estavam, um grupo de sereias que comem humanos (um tipo diferente de sereia, pois essas teriam origem híbrida) pretendiam matar Oliver, mas Gaia impediu sugerindo para que matassem a namorada do rapaz. Assim, Oliver foi o único sobrevivente do naufrágio. 

Bastante decepcionada com o noivado arranjado por seu pai (sendo o noivo um idoso super nojento), ela decide ir até o reino da Bruxa do Mal. Esse reino é relativamente próximo do reino do Rei dos Mares, mas o livro o descreve como um ambiente sombrio e assustador. A bruxa é uma sereia chamada Ceto. Ela é gorda e possui uma calda preta com diversas perólas (o que era considerado como uma ostentação entre as sereias e considerado impróprio pelo rei). 

Gaia pede para que Ceto a torne humana a fim de se livrar dos seus problemas no mar e se casar com Oliver (agora solteiro após a morte de sua namorada causada indiretamente por Gaia). Ceto explica que há renúncias nessa escolha e que a magia não sai de graça, mas mesmo assim Gaia aceita cortar a sua língua (e perder a sua voz) e sentir uma dor insuportável toda vez que andasse com as suas pernas novas. 

Assim que chega à terra firme, ela conhece Oliver e ele se mostra interessado por ela. Ele oferece moradia e a apresenta para sua mãe Eleanor. A Eleanor é uma empresária brilhante que sempre administrou o negócio da família, mas que precisou sempre da presença de seu marido por conta dos investidores machistas que não a ouviam. O marido de Eleanor morreu após se jogar no mar em busca da mãe de Gaia, quando ainda estava viva. Nesse ponto da história que descobrem que o pai do garoto era o motivo pelo qual a mãe da Gaia sempre ia à superfície. 

De todo modo, Gaia vive com Oliver e vê que o rapaz trata a sua mãe de maneira muito má e que ele é bastante mimado. Não suficiente, todos os dias as pernas de Gaia de deformavam cada vez mais e sangravam horrores. Em uma festa, ele troca Gaia por uma cantora chamada Flora e ela se sente traída. Flora tinha a voz de Gaia e ela descobre que a mulher é na verdade Ceto disfarçada. Ceto se disfarçou para salvar Gaia do destino cruel com um homem que não a ama (que a trocou na primeira oportunidade) e que não estaria à sua altura. Ceto não consegue desfazer a magia e sugere outras opções para Gaia, que nunca mais será a mesma…