5 Livros de Terror para Crianças

livros infantis

Esse post é dedicado para os amantes de livros de terror e suspense que querem mostrar um pouco desse amor para alguma criança especial, seja ela filho, irmão, sobrinho, afilhado, amigo etc., ou até para a criança gótica que vive em nós haha.

Todos os títulos abaixo estão com um link especial para a compra de cada um dos livros no site da Amazon.

1. A Vida Não Me Assusta – Maya Angelou

Eu indico esse livro para todas as idades. É um livro incrível com poemas da Maya Angelou e ilustrado por pinturas e desenhos de Jean-Michel Basquiat. As ilustrações são brilhantes e conversam de maneira única com os poemas.

Os poemas tratam de diversas situações que exigem coragem, que vão desde enfrentar leões e dragões até bullying na escola. Não importa o que ocorra, nada irá assustar. O livro nos mostra que precisamos ser corajosos em diversas situações na vida e te faz refletir bastante nesse sentido. Na minha opinião, a mensagem do livro é sempre perseverar, não importa o que cruzar o seu caminho.

2. O Monstro Dentro Do Armario – Carla Chaubet

Quem nunca ficou com medo de uma fresta aberta do armário escuro no quarto? Esse livro contra a história de uma menina que enfrenta esse medo e acaba fazendo uma nova amizade.

3. O Fantástico Alfabeto Lovecraft: Lovecraft para todos

Esse livro é definitivamente um dos meus prediletos. “O Fantástico Alfabeto Lovecraft”, escrito por Jason Ciaramella, foi o primeiro livro infantil da editora DarkSide Books. Ele é incrível e tem como proposta mostrar o alfabeto com base nos personagens dos contos do autor H. P. Lovecraft (que até parecem fofos nas ilustrações de Greg Murphy).

O formato do livro é bastante interessante, pois ele é capa dura e tem as pontas arredondadas.

4. Coraline

Coraline de Neil Gaiman é um clássico e acredito que a maioria de nós já tenha ouvido falar desse livro. Esse livro ganhou os prêmios Hugo e Nebula Award e o Bram Stoker Award. Eu sempre tive (e até hoje tenho) muito medo dessa história, mas acho que vale a leitura para crianças acima de 7 anos.

A história conta sobre um outro mundo, encontrado por Coraline em uma porta da sua casa nova, que seria uma cópia do seu apartamento. Nesse novo mundo ela encontra a Outra Mãe e o Outro Pai, que são uma réplica do seus pais, entretanto, com peças de botão no lugar dos seus respectivos olhos. Esses “outros pais” causam problemas e Coraline precisa salvar os seus pais verdadeiros.

5. Historias de Terror Para Criancas Estranhas

Esse livro é de Rebeca Puig com ilustrações de Rebeca Prado. Eu sempre amei livros de contos e esse me representou muito. Esse livro é para todas as crianças “estranhas”. Mas afinal, o que seria uma criança estranha? Ela é aquela que já torceu para o vilão e sempre tentou enxergar as histórias de maneira diferente daquela imposta para nós.

Book Review: O Mundo se Despedaça – Chinua Achebe (PT)

Resenhas

“O homem branco é muito esperto. Chegou calma e pacificamente com sua religião. Nós achamos graça nas bobagens deles e permitimos que ficasse em nossa terra. Agora, ele conquistou até nossos irmãos, e o nosso clã já não pode atuar como tal. Ele cortou com uma faca o que nos mantinha unidos, e nós despedaçamos.” (ACHEBE, Chinua, 1958 [2019], p. 198).

Um dos motivos pelos quais eu decidi criar um blog foi o espaço para poder discutir sobre livros. Aqui apresentarei um pouco do livro “O Mundo se Despedaça” de Chinua Achebe com base na leitura feita por mim, contexto histórico da sua publicação e um texto de Noshua Amoras de Morais e Silva (referência abaixo).

Chinua Achebe, nascido em 16 de novembro de 1930 em Ogidi, no Protetorado britânico da Nigéria, foi um dos mais conhecidos autores africanos de todo o século XX. Achebe é mais conhecido por suas duas principais obras: Things Fall Apart (“O Mundo se Despedaça”, em inglês) e There Was a Country – A Personal History of Biafra. Dentre os principais temas de suas obras, estão a depreciação da cultura africana pela cultura eurocentrica e os efeitos da colonização da África pelos europeus, os quais são o foco do livro que iremos analisar mais em frente.

O que acho importante sobre o background do autor para a análise do livro é que Achebe nasceu em 1930, exatamente 30 anos antes da independência da Nigéria como colônia britânica na África (1 de outubro de 1960). Logo, Achebe vivenciou uma Nigéria sob domínio colonial britânico e foi criado na cultura tradicional Igbo.

O povo Igbo é um dos maiores grupos étnicos na Africa, sendo que a maioria de sua população localiza-se no sul e oeste da Nigéria. De acordo com o Ecos da Leitura da Tag Livros, verifica-se que existem vestígios Igbos que datam de mais de 1500 anos.

“O Mundo se Despedaça” foi publicada em 1958, quando Achebe tinha 28 anos, e nos conta um pouco da desintegração da cultura Igbo após a chegada e missionários europeus. O livro é dividido em três partes e tem como protagonista um homem chamado Okonkwo.

Okonkwo é um famoso lutador do povo Igbo em Umuófia, com um passado ruim por conta de seu pai, mas que conseguiu se reerguer dentro da comunidade. Ele é considerado um homem de sucesso dentro da comunidade, pois possui três esposas e uma boa colheita em seu compound. Na primeira parte do livro, Achebe nos mostra com detalhes a cultura do povo Igbo em diversos aspectos: culto aos ancestrais, religiosidade e até a posição da mulher na comunidade.

De acordo com Noshua Amoras, a primeira rachadura do mundo de Okonkwo se dá quando uma criança da comunidade morre pela sua arma, sendo uma grande ofensa aos deuses da terra. Sendo assim, como punição, Okonkwo e sua família tiveram que se mudar para Mbanta por sete anos. Mbanta é o clã da mãe do protagonista.

Em Mbanta, Okonkwo participava das conversas com os líderes da comunidade. Nessas conversas, haviam comentários sobre missionários europeus tentando contato com outras tribos próximas e até construindo igrejas. Pouco tempo depois, os missionários chegaram à Mbanta e pediram permissão os líderes locais para a construção de uma igreja.

Os líderes, para afastar os missionários, autorizaram para que fizessem a Igreja em um local chamado Floresta Maldita, terreno que geralmente fazia com que as pessoas sofressem. E, para piorar a situação, os missionários não sofreram no referido terreno e o filho de Okonkwo, Nwoye, se junta aos missionários.

Segundo Noshua Amoras, o mundo de fato se despedaça para Okonkwo quando ele volta à Umuófia e percebe que o homem branco já havia se instalado no local e construído uma igreja. Assim, Okonkwo convive com os brancos em sua tribo e repara como a sua cultura estava morrendo com o fortalecimento da cultura europeia e imposições feitas pela igreja.

Ele tenta organizar uma resistência para expulsar os homens brancos de seu território, mas tal medida não vai para frente, pois o clã percebe que não tem armas suficientes para guerrear com as armas dos brancos e, não suficiente, guerrear contra os brancos seria a mesma coisa que guerrear com parte de seus irmãos, que acabaram se convertendo para a religião cristã.

Clique para acessar o noshua_amoras_-_notas_sobre_a_obra_o_mundo_se_despedaça_de_chinua_achebe.pdf

Book Review: A Pequena Sereia – Louise O’Neill

Resenhas

“Seu pai tem insistido em me chamar de “bruxa”. Este é simplesmente um termo que os homens dão às mulheres que não tem medo deles, às mulheres que se recusam à submissão” (p. 89)

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Este review possui informações super importantes que podem ser consideradas como spoiler, mas não revelarei o fim da história.

Esse livro é uma releitura da história da Pequena Sereia, que ficou muito famosa por conta do seu filme da Disney. Essa foi a primeira releitura que li e a achei muito boa. Os tópicos abordados por Louise O’Neill são de grande complexidade e ela conseguiu criar um universo novo e atual para o cenário do filme da Disney. Estou utilizando o filme como base, pois não li o conto de Hans Christian Andersen. 

Achei incrível como muitos pontos (até sem sentido) da história original (filme), fazem mais sentido nessa releitura. Nessa versão, a princesa se chama Gaia e as sereias vivem sobre a monarquia absolutista do Rei dos Mares. Nessa monarquia, ele é o dono da verdade e faz uma grande alienação para toda a sua população no sentido de vender a ideia de que é o ser mais poderoso do oceano e que a economia está boa (digo economia, mas no livro há a menção de que existe fome nos arredores do palácio real, fato negado pelo Rei). O Rei dos Mares também mostra uma postura racista (ao meu ver, mais uma vez) e busca uma certa uniformidade na aparência da sua população.

Todos que contestam o Rei dos Mares será penalizado, mas não o livro não demonstrou como tal pena funcionaria. O único exemplo que temos é a morte da mãe da Gaia, então esposa do Rei dos Mares. Mas esse ponto será discutido mais em breve. 

Esse livro tem uma abordagem feminista bastante crítica, pois o reino do pai de Gaia é extremamente machista. O machismo fica evidente no momento em que as mulheres não são autorizadas a emitir opiniões e são limitadas a serem bonitas, apenas. Ainda, o sucessor do reino apenas poderá ser um homem. Os casamentos das filhas do rei são arranjados e os maridos escolhidos pelo próprio rei. De acordo com o seu pai, Gaia estava destinada a casar com um homem idoso, enquanto ela tinha apenas 15 anos. 

Um fato curioso desse universo é de que as meninas “se tornam mulheres” quando fazem quinze anos e são autorizadas a nadar até a superfície, sendo proibido qualquer contato com humanos. Há bastante medo dos humanos, pois acredita-se que a rainha (mãe de Gaia) morreu capturada por eles. Mas depois descobrem que não foi verdade.

Assim que fez quinze anos, Gaia decidiu subir até a superfície e avistou um grupo de jovens adultos (eles tinham cerca de dezoito anos) e se apaixona por um deles. O garoto se chama Oliver e tem uma namorada, o que deixa Gaia bastante decepcionada. Durante um naufrágio do barco em que os jovens estavam, um grupo de sereias que comem humanos (um tipo diferente de sereia, pois essas teriam origem híbrida) pretendiam matar Oliver, mas Gaia impediu sugerindo para que matassem a namorada do rapaz. Assim, Oliver foi o único sobrevivente do naufrágio. 

Bastante decepcionada com o noivado arranjado por seu pai (sendo o noivo um idoso super nojento), ela decide ir até o reino da Bruxa do Mal. Esse reino é relativamente próximo do reino do Rei dos Mares, mas o livro o descreve como um ambiente sombrio e assustador. A bruxa é uma sereia chamada Ceto. Ela é gorda e possui uma calda preta com diversas perólas (o que era considerado como uma ostentação entre as sereias e considerado impróprio pelo rei). 

Gaia pede para que Ceto a torne humana a fim de se livrar dos seus problemas no mar e se casar com Oliver (agora solteiro após a morte de sua namorada causada indiretamente por Gaia). Ceto explica que há renúncias nessa escolha e que a magia não sai de graça, mas mesmo assim Gaia aceita cortar a sua língua (e perder a sua voz) e sentir uma dor insuportável toda vez que andasse com as suas pernas novas. 

Assim que chega à terra firme, ela conhece Oliver e ele se mostra interessado por ela. Ele oferece moradia e a apresenta para sua mãe Eleanor. A Eleanor é uma empresária brilhante que sempre administrou o negócio da família, mas que precisou sempre da presença de seu marido por conta dos investidores machistas que não a ouviam. O marido de Eleanor morreu após se jogar no mar em busca da mãe de Gaia, quando ainda estava viva. Nesse ponto da história que descobrem que o pai do garoto era o motivo pelo qual a mãe da Gaia sempre ia à superfície. 

De todo modo, Gaia vive com Oliver e vê que o rapaz trata a sua mãe de maneira muito má e que ele é bastante mimado. Não suficiente, todos os dias as pernas de Gaia de deformavam cada vez mais e sangravam horrores. Em uma festa, ele troca Gaia por uma cantora chamada Flora e ela se sente traída. Flora tinha a voz de Gaia e ela descobre que a mulher é na verdade Ceto disfarçada. Ceto se disfarçou para salvar Gaia do destino cruel com um homem que não a ama (que a trocou na primeira oportunidade) e que não estaria à sua altura. Ceto não consegue desfazer a magia e sugere outras opções para Gaia, que nunca mais será a mesma…

Short Book Review: Love in the Time of Cholera – Gabriel Garcia Marquez

Resenhas

Love in the Time of Cholera by Gabriel García Marquez (“LTOC”) is the best true love story I’ve ever read. I recommend it for everyone interested in romances and also for all the true love believers. It is just amazing and it is a classic magical realist book (of course, as it is written by the genius Gabriel García Marquez). Magic realism is my favorite literary genre and I’d like to show you more information about it.

This literary genre was popularized by Latin American writers in the 1950s. The main characteristic of magic realism is the existence of fantasy elements in the real world. Unlike in fantasy novels, the magical events are presented as ordinary occurrences and the reader accepts the marvelous as normal and common. For example, in LTOC Fermina senses the flesh and blood presence of her dead husband, but then she goes about her day as normally as possible.

The story takes place in Cartagena, Colombia, and it tells the love story of Florentino Ariza and Fermina Daza. Florentino and Fermina fall in love at first sight, but Fermina’s father didn’t accept their relationship and she agrees to marry Dr. Juvenal Urbino, her father’s choice. However, things change after the doctor’s death…

Book Review: Trago Seu Amor em 3 Dias – Mel Geve

Resenhas

There isn’t an English version of this book, so I will review it in Portuguese: O meu companheiro desses primeiros dias de isolamento foi o “Trago seu amor em 3 dias” escrito pela minha amiga Mel Geve. O livro me fez relembrar momentos muito especiais de uns 4 anos atrás (acho que quando tinha a mesma idade da personagem principal – chamada Amélia). O formato do livro é muito bem pensado, pois imita o lambe-lambe, uma figura que aparece bastante no decorrer da leitura (tanto o tamanho físico quanto a ilustração).

A história é incrivelmente paulistana (com direito a rolês na Rua Augusta e Cervejarias Gourmet) e conta a história de amor entre Amélia e Theo, um casal que se conheceu em uma balada chamada Sobradinho.

No entanto, Amélia precisou ir embora mais cedo e acabou abandonando Theo no local. Desesperada, Amélia resolve ir atrás da Madame Zumba, que faz uma simpatia para atrair o Theo de volta aos braços da Amélia. Tal simpatia funciona, mas coloca Amélia em diversas situações engraçadas e difíceis.

O que gostei muito no livro é que tenta (com sucesso) explicar como funcionam as religiões de matriz africana (em especial, umbanda) e tirar todos os preconceitos que a sociedade brasileira possui com relação a este tipo de crença. Para tanto, a autora foi até templos e conversou com religiosos para escrever sobre o tema no livro.

Amélia é uma personagem incrível, empoderada e poderia ser qualquer uma de nós (tenho muitas amigas parecidas com ela). E ainda, percebi muitas partes do livro que refletem a própria autora, em especial quando trata de carreiras jurídicas, como com o Theo e Pipa. Gostei muito da leitura e indico para quem busca uma história de amor (bem paulistana) entre dois jovens.