Book Review: “Justiça” – Michael J. Sandel

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Caso tenha interesse em comprar a obra, acesse o link de compra: Justiça: O que é fazer a coisa certa

“Justiça” de Michael J. Sandel é um livro completamente diferente do que vocês estão acostumados a ler por aqui. Ele é um livro que tem como objetivo nos fazer refletir sobre diversas situações complexas e verificar o nosso próprio senso de justiça.

O livro possui mais de 150 mil exemplares vendido no Brasil e é resultado de um curso da Universidade de Harvard, cuja faculdade de Direito é a melhor de todo o mundo. Eu li esse livro há muitos anos atrás e agora reli para o Clube de Leitura da Gabriela Prioli.

Todas as perspectivas de justiça analisadas pelo livro são de cunho filosófico e são muito bem explicadas pelo autor. É um livro que nos faz refletir diversas questões e que aborda pontos polêmicos da nossa sociedade, como ações afirmativas, mercado e liberdade pessoal (casamentos homoafetivos, aborto, venda de órgãos e barriga de aluguel).

Para mim, a parte mais enriquecedora foi a explicação filosófica de cada autor citado. O autor explica questões complexas de maneira didática e fluida. Dentre essas questões estão o Imperativo Categórico de Kant e toda a teoria da equidade de John Rawls. Foi ótimo poder revisitar essas teorias, que apenas tive contato no começo da graduação em Direito.

Acho que essa é uma leitura obrigatória para quem busca se entender melhor como cidadão e a sua própria posição na sociedade. Toda comunidade muda com o tempo e esse livro é um ótimo caminho para entender algumas dessas mudanças sob uma perspectiva da ética e da justiça. O autor é franco e transparente ao nos encaminhar por vários caminhos até chegar ao seu raciocínio.

Book Review: “Um Teto Todo Seu” de Virgínia Woolf

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“She lives in you and in me, and in many other women who are not here to-night, for they are washing up the dishes and putting the children to bed. But she lives; for great poets do not die (…) opportunity will come and the dead poet who was Shakespeare’s sister will put on the body which she has so often laid down. Drawing her life from the lives of the unknown who were her forerunners, as her brother did before her, she will be born”.

WOOLF, Virginia. A Room of Ones Own (1929).

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A obra se inicia com o questionamento sobre o papel desempenhados pelas mulheres em obras de ficção. Todavia, este ponto segue como uma grande reflexão feminista sobre a questão da mulher na sociedade inglesa e a visão dos próprios homens sobre as mulheres.

Woolf aborda aspectos históricos e sociais na sua análise e a grande conclusão é de que uma mulher deve ter um teto só seu para poder escrever sobre ficção (“a woman must have money and a room of her own if she is to write fiction“). A partir deste ponto, a autora destrincha essa conclusão nos próximos capítulos do livro.

Historicamente, as mulheres foram deixadas a uma situação de extrema pobreza na sociedade (“One cannot think well, love well, sleep well, if one hás not dined well”). Isso se dá na medida em que elas sequer tinham direitos iguais aos dos homens. Esse ponto pode ser melhor explorado nesse vídeo que participei com a Jane Austen – Sociedade do Brasil: https://youtu.be/EpTogYkvcTw

Cumpre ressaltar que na Inglaterra, até 1882, as mulheres tinham os mesmos direitos dados durante a Idade Média. Logo, ela não tinha capacidade jurídica para firmar contratos, não poderia ter propriedades e sequer a própria guarda dos filhos menores. Todos esses direitos eram exclusivos de seus maridos. Além de não terem direito ao recebimento do próprio salário, que era destinado diretamente aos seus maridos.

Uma reflexão super interessante foi a questão das mulheres serem o foco da maioria das obras de literatura escritas por homens (“Have you any notion how many books are written about women in the course of one year? Have you any notion how many are written by men? Are you aware that you are, perhaps, the most discussed animal in the universe?”). As mulheres são vistas como divinas e deusas, mas por que não há um reflexo dessa imagem na sociedade? Principalmente em uma sociedade que as menospreza?

Woolf busca textos de outros autores para entender o que eles falavam sobre as mulheres. Uma parte que achei interessante é a análise que ela faz de livros que deixam claramente que as mulheres são biologicamente inferiores aos homens, e que muitos homens que escrevem sobre isso querem reafirmar a sua superioridade na sociedade e não realizar uma busca científica séria (“Possibly when the professor insisted a little too emphatically upon the inferiority of women, he was concerned not with their inferiority, but with his own superiority” e “If he had written dispassionately about women, had used indisputable proofs to establishment his argument and had shown no trace of wishing that the result should be one thing rather than another, one would not have been angry either”).

Nesse ponto, Woolf sinaliza que o movimento sufragista e o primeiro movimento feminista (contemporâneo de sua época) era um grande gatilho para os homens, pois faz com que eles se questionem de sua suposta superioridade. O machismo faz com que o homem mais medíocre se sinta como um rei perto de uma mulher e os homens machistas necessitam dessa inferioridade feminina para se auto-afirmarem como os homens que a sociedade espera que sejam (“Women have served all these centuries as looking-glasses possessing the magic and delicious power of reflecting the figure of man at twice its natural size” e “That is why Napoleon and Mussolini both insist so emphatically upon the inferiority of women, for if they were not inferior, they would cease to enlarge”).

Ao se questionar dos motivos pelos quais as mulheres não escreveram sobre ficção ou viraram grandes nomes da literatura, Woolf se questiona na situação em que elas viviam. Como eram propriedade de seus pais e maridos, elas nunca tiveram voz e sequer educação para tal. Woolf duvida muito que elas tinham um espaço confortável para escrever suas obras e sequer tempo, pois muitas se casavam antes dos vinte anos de idade e ainda tinham filhos.

Logo, a autora conclui que é impossível, por exemplo, existir uma escritora do mesmo nível de Shakespeare durante o período de Shakespeare. Outro ponto interessante era o quanto desencorajador era para as mulheres se tornarem artistas, o que muda apenas no século XVIII, no qual as mulheres de classe média, como Jane Austen, começaram a escrever.

Mas aí vem outro ponto: por que as mulheres escreviam romances e não poesias ou peças de teatro? Woolf entende que esse fato aconteceu pelo fato das mulheres serem interrompidas o tempo todo durante a escrita de suas obras. Logo, o que escreviam não exigiam um altíssimo grau de concentração.

Outra interessante observação de Woolf é de que Jane Austen e Emily Brontë escreviam como mulheres, sem uma cobrança em busca do “ideal masculino”. Logo, elas escreviam “como mulheres” livres em locais de fala de “mulheres”, o que é um fato revolucionário para a época.

Acredito que também não posso deixar de ressaltar como Woolf aborda a relação que as mulheres tinham umas com as outras na literatura, logo, sobre a rivalidade feminina. A escritora ressalta que existe sororidade e que a literatura seria muito mais rica se tivesse tido grande amizade entre mulheres, assim como tiveram entre os homens (“Suppose, for instance, that men were only represented in literature as the lovers of women, and were never the friends of men, soldiers, dreamers; how few parts in the plays of Shakespeare could be allotted to them; how literature would suffer!”).

Book Review: “A Flecha de Deus” de Chinua Achebe

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“Assim como a luz do dia afugenta a escuridão, da mesma forma o homem branco desmanchará todos os nossos costumes”

ACHEBE, Chinua. A Flecha de Deus; Tradução Vera Queiroz da Costa e Silva. São Paulo: Companhia das Letras, 2011 (p. 123). 

“A Flecha de Deus” foi o segundo livro de Chinua Achebe que li (sendo o primeiro “O Mundo se Despedaça”) e achei que deu para mergulhar ainda mais no universo das comunidades originárias da região da Nigéria. Para comprar o livro, segue um link especial de compra na Amazon: A flecha de Deus

Eu achei que “A Flecha de Deus” foi bastante diferente comparado com “O Mundo se Despedaça”, pois existe uma alternância na perspectiva dos colonizadores e de Ezeulu, o sumo sacerdote e líder político de Umuaro (uma aldeia no interior da Nigéria).

A história se passa em Umuaro durante a década de 1920. De acordo com a religião local Igbo, Ezeulu é o representante do Deus Ulu e uma figura super poderosa não apenas na vila, como também em todos os vilarejos vizinhos.

O livro começa com um combate entre Umuaro e Okperi, um vilarejo próximo, que é interrompido pela presença de Winterbottom, um colonizador britânico da região. Ele quebra as armas de ambas as comunidades como um “recado” para que parassem o conflito. Os próprios personagens interpretam como se fosse um “pai parando uma briga entre os filhos”.

Paralelamente, logo após esse acontecimento, surge John Goodcountry, um missionário cristão que tenta converter as populações locais ao cristianismo e afirma que vilarejos perto do Delta do Nilo já haviam se convertido.

Voltando para os protagonistas, ao decorrer da leitura, a gente percebe que Winterbottom fica gravemente doente e que os costumes da região já estavam ficando muito afetados pela presença dos colonizadores. Ezeulu manda o seu filho estudar a religião cristã para entender o seu funcionamento e “entender” o inimigo (que seriam os missionários europeus). Outros personagens africanos que foram adaptados aos costumes britânicos aparecem também.

Todavia, o que ninguém esperava era que Ezeulu é convidado para uma reunião com Winterbottom, na qual o britânico oferece um título para o líder e propõe que ele faça parte da Administração Britânica Colonial. Ezeulu nega o título e fica preso por 20 dias pelos colonizadores. Ao retornar para Umuaro, Ezeulu se depara com uma comunidade sem colher o inhame (alimento base), pois este só deveria ser colhido após uma cerimônia, que não havia ocorrido por depender da presença de Ezeulu (que estava preso).

Mas Ezeulu afirma que não irá realizar tão cedo a cerimônia, em respeito à vontade do Deus Ulu, que queria dar uma “punição” para a aldeia. Os membros importantes da comunidade pediram para que a cerimônia fosse marcada, pois muitas pessoas estavam passando fome, mas Ezeulu não muda a sua posição. Assim, a comunidade culpa Ezeulu pela fome que se espalhou.

John Goodcountry aparece na comunidade e propõe que eles se convertam ao cristianismo para poderem comer os inhames e um tipo de “imunidade” aos deuses africanos por estarem descomprimido Ulu. Muitas pessoas já haviam perdido a fé e enviam os seus filhos para a nova religião.

A frase “Flecha de Deus” é extraída de um provérbio Igbo no qual se diz que uma pessoa, ou às vezes um evento, representa a vontade de Deus. 

Book Review: “Sobre os Ossos dos Mortos” de Olga Tokarczuk

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“Sabe,  às vezes, tenho a impressão de que vivemos num mundo que nós mesmos projetamos. Determinamos o que é bom e o que é ruim, desenhamos mapas de significados… E depois, durante a vida inteira, lutamos contra aquilo que concebemos. O problema é que cada um tem a sua própria versão, por isso é tão difícil as pessoas chegarem a um acordo”.

TOKARCZUK, Olga (1962-). “Sobre os Ossos dos Mortos”. Tradução de Olga Baginska-Shinzato. São Paulo: Todavia, Primeira Edição, 2019. Página 207.

Já aviso desde já que esse post possui spoilers! O link para compra do livro na Amazon é Sobre os ossos dos mortos

Eu vi que muitas pessoas estavam comentando sobre esse livro, até porque sua autora recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2018 após dois meses da publicação da obra nos Estados Unidos. Eu considero que a leitura teve um nível de dificuldade mediano por conta das digressões (mas sem perder o suspense!).

O livro nos apresenta Janina Dusheiko, uma idosa polonesa, que vive em um vilarejo rural na Polônia, próximo da fronteira com a República Tcheca. Ela é a protagonista da história e passa a maior parte do seu tempo estudando astrologia e traduzindo textos de William Blake para o idioma polonês. Ela é uma personagem com uma pegada bastante filosófica e reflete sobre a cultura e os comportamentos humanos em geral.

Uma característica marcante de Dusheiko é de que ela não gostava de nomes. Logo, ela acredita fazer sentido criar nome para as pessoas (e lugares) de acordo com as suas características e acontecimentos. Essa parte me lembrou muito Anne of Green Gables. Ainda, outro fato sobre a personagem é que ela havia perdido as suas duas cachorrinhas e acabou ficando bastante famosa no vilarejo devido a sua busca por elas.

No decorrer na história, a gente acaba conhecendo um pouco mais dos costumes poloneses e acompanhando a investigação que Dusheiko faz com seus amigos em relação aos crimes que estavam ocorrendo no vilarejo. Todos os crimes eram cometidos em face de homens caçadores da região e tinham algum elemento vinculado a animais.

Dusheiko sempre foi bastante ativa no envio de correspondências para a polícia a fim de que as autoridades se posicionassem quanto à caça de animais na região. Entretanto, nada acabava resolvido, pois os policiais não eram apenas amigos dos caçadores, como também caçavam com eles. Dusheiko se envolve tanto com os animais que, até certo ponto do livro, ela começa a se “misturar” com eles, até mesmo chamando as suas próprias mãos de “patas”.

O leitor acaba se envolvendo bastante com Dusheiko e entende a causa que ela defende. Em muitas partes do livro, é possível se emocionar bastante com as falas em defesa dos animais que a personagem faz. Por exemplo, “o ato de matar se tornou impune. E por ser impune, ninguém o percebe mais. E já que ninguém percebe, não existe. Quando passam pelas vitrines dos açougues onde grandes pedaços vermelhos de corpos esquartejados são pendurados em exposição, acham que aquilo é o quê? (…) Nada disso assusta mais. O assassinato passou a ser considerado algo normal, virou uma atividade banal” (p. 101).

Sabemos também, ao decorrer da história, que Dusheiko possui uma doença bastante severa de pele e que possui sonhos muito reais com sua mãe e avó, ambas falecidas. Esses sonhos são quase uma pista da escritora para o fim da história.

Como a história toda foi dita sob a perspectiva de Dusheiko, acabamos nos perdendo nas ideias dela e não tendo uma perspectiva independente da realidade como geralmente temos nos livros. No fim da história, Dusheiko revela que possui um transtorno de personalidade e que ela mesma havia praticado todos os assassinatos da cidade. Ela havia cometido os crimes em nome dos animais que, supostamente, haviam escolhido ela para defendê-los.

É revelado que os seus cachorros foram mortos por um dos homens que ela havia assassinado e que ela tinha total consciência sobre isso. Mas o que me deixou curiosa foi que os amigos de Dusheiko acreditaram nela e a ajudaram em uma fuga para a República Tcheca.

Fica a questão: será que devemos encarar a história sob uma perspectiva mais realista (com relação ao nosso mundo) ou devemos seguir na fantasia em que os animais poderiam, de fato, ter convocado Dusheiko para cometer os crimes?

Fica a dúvida!

Book Review: A Abadia de Northanger de Jane Austen

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“Aquele que, homem ou mulher, não sente prazer na leitura de um bom romance deve ser insuportavelmente estúpido”.

AUSTEN, Jane (1775-1817). A Abadia de Northanger / Jane Austen, tradução de Roberto Leal Ferreira – São Paulo: Martin Claret, 2018.

Como parte do especial de Jane Austen que preparei nessa semana, resolvi publicar um review de “A Abadia de Northanger” da escritora. Li a versão em livro publicada pela Martin Claret. Caso tenha interesse, segue o link especial para compra: A Abadia de Northanger

O livro, que foi inicialmente intitulado Susan, começa com um aviso de Jane Austen para os leitores referente às diferenças culturais que podem ser encontradas no decorrer da leitura. Isso porque há uma diferença de 13 anos entre o período em que ela escreveu até a sua publicação. “Pede-se, pois, ao leitor que não se esqueça de que se passaram treze anos desde que ela foi terminada, muitos mais desde que foi iniciada, e, durante tal período, lugares, maneiras, livros e opiniões sofreram mudanças consideráveis” (p. 8).

Ainda, uma curiosidade bem legal sobre a obra: “Após a morte de Jane Austen, que ocorre em 18 de julho de 1817, seu irmão Henry Austen faz publicar o romance, no final de dezembro de 1817 (a data de 1818, na página de título, resulta dos inúmeros desencontros e confusões acerca da publicação), e o título é mudado, provavelmente por Henry Austen, para Northanger Abbey. Talvez assim evocaria os romances góticos, em voga na época, apresentando castelos misteriosos”. Fonte

O livro começa nos mostrando um pouco a vida de Catherine Morland com a sua família em um vilarejo em Wiltshire. Todavia, assim que ela tem idade o suficiente para frequentar à festas e conhecer outras pessoas, ela parte com o Sr. e a Sra. Allen para Bath, uma cidade grande, para frequentar o ciclo social.

Nos bailes, Catherine acaba conhecendo a Isabella Thrope e se tornam muito amigas. James, o irmão de Catherine (e que por acaso estava na cidade), se apaixona por Isabella e o Sr. Thorpe (irmão de Isabella e amigo de James) se apaixona por Catherine. Mas, ao conhecer melhor o Sr. Thorpe, ela percebe como ele é um rapaz chato, desagradável e que só pensa em falar de cavalos e carruagens.

Bath se torna um lugar especial quando Catherine conhece Henry Tilney, e aproxima-se da irmã dele, Eleanor, com quem faz amizade. Ela se apaixona por Henry Tilney e se torna a garota mais feliz do mundo quando é convidada para ir à Abadia de Northanger, propriedade da família Tilney. Ela acredita que essa é a sua oportunidade de viver suas aventuras sombrias em mosteiros góticos.

Nessa hora que eu me apaixonei pela história! Toda a rotina de Bath foi interessante (principalmente para quem se interessa na cultura no período “regency England”), mas nada como a ida para Northanger. Foi nessa hora da história que eu comecei a sonhar sozinha imaginando tudo junto com a Catherine.

Ela se dá bem como todo mundo, inclusive com o Sr. Tilney (pai de Eleanor e Henry), mas chega a um ponto que é praticamente “expulsa” do nada. Depois descobrem que o Sr. Tilney a expulsou por conta de uma conversa que ele teve com o Sr. Thorpe (idiota). Como ele estava apaixonado por Catherine e não aceitou que ela teria escolhido o cortejo de Henry, ele decidiu falar coisas horríveis de Catherine para o Sr. Tilney, que, preocupado, a expulsou.

Mas, como sempre, tudo terminou bem e ela é pedida em casamento por Henry.

Book Review: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

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“I’m under absolutely no obligation to make sense to you.”

Compre o livro nesse link: Os sete maridos de Evelyn Hugo

O ícone de Hollywood dos anos 50, Evelyn Hugo, escolhe a jornalista Monique Grant para escrever sobre a sua vida cheia de polêmicas. Todavia, a vida da Evelyn afeta a de Monique de maneira não apenas surpreendente, mas também trágica. A vida da Evelyn é bastante curiosa, complexa e envolve muitos temas como amor, traumas de infância, lealdade e amizade verdadeira. Não há espaço para maniqueísmo no livro, mas apenas o retrato de uma pessoa que parece que, de fato, existiu.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é um livro que te envolve do começo até o fim. Quando você pensa que sabe o fim da história, a autora Taylor Jenkins Reid mostra um resultado totalmente diferente do esperado. É definitivamente um dos meus livros prediletos. Incrivelmente é o livro de estreia de Taylor Jenkins Reid e ela utilizou como inspiração a atriz Elizabeth Taylor e a também atriz Ava Gardner, que revelou detalhes da sua vida no livro “Ava Gardner: The Secret Conversations”. 

A obra foi indicada ao prêmio Goodreads Choice Award na categoria “Best Historical Fiction of 2017”, bem como teve seus direitos reservado para a Freeform e a Fox 21 Television Studios para a produção se uma série, cuja produção será feita por Jennifer Beals e Ilene Chaiken, e Reid Jenkins trabalhará como roteirista. 

Evelyn Hugo tem uma primeira infância bastante difícil com a perda prematura de sua mãe. Assim, ela passa a viver com o seu pai abusivo, mas sai de casa o quanto antes. Ela decide tentar uma carreira de atriz em Hollywood e se utiliza do seu corpo para seduzir os homens influentes do mercado e alcançar um lugar como atriz. 

Todos os casamentos foram de certa forma bastante importantes para a vida de Evelyn Hugo e eram totalmente o oposto do que era noticiado pela grande mídia da época. Nesse review irei me limitar a dois casamentos: com Don Adler e Harry Cameron. Por sinal, Harry é o meu personagem favorito e me apeguei bastante nele durante a leitura.

Don Adler era o homem perfeito de Hollywood: bonito e um ator bem sucedido. Evelyn chegou a de fato se apaixonar por Don, mas mal sabia ela que Don era um agressor e batia em Evelyn. Don era um homem muito prepotente e não aceitava que Evelyn tivesse uma carreira de sucesso tão boa ou melhor que a sua (o que, de fato, está acontecendo). Mas o período durante o casamento de Evelyn e Don é muito importante, pois é quando Evelyn conhece Celia St. James, uma atriz iniciante disposta a ser amiga de Evelyn. 

Evelyn sempre teve muito problemas em confiar nas pessoas devido às dificuldades que ela encontrou durante a sua infância. Ao meu ver, Evelyn sempre viu mulheres como rivais, pois nunca teve uma sensação de maternidade e/ou irmandade antes. Mas ela acaba aceitando o pedido de amizade de Celia. 

Mas por que a amizade com Celia se torna tão importante durante o livro? Porque, na amizade com Celia, Evelyn se descobre como mulher bissexual. Elas se apaixonam e, definitivamente, Evelyn a considera o amor da sua vida. Mas tal amor não seria aceito na sociedade daquela época e ainda elas jamais poderiam se casar por ser ilegal. 

Celia é, de fato, essencial durante a leitura do livro, mas o personagem que realmente acompanhou Evelyn durante toda a sua vida (e que eu consideraria como o amor da vida dela) é Harry Cameron. Ele e Evelyn se conheceram desde o começo da carreira dela e eles são melhores amigos desde então. 

Ele é um homem LGBT (não é possível saber ao certo, mas no livro entende-se que ele é gay) e é apaixonado por John. Em uma manobra muito inteligente, ele se casa com Evelyn e Celia se casa com John, sendo que Evelyn ficaria com Celia e Harry com John. No livro, Evelyn descreve “(…) And we all knew what we were. Two men sleeping together. Married to two women sleeping together. We were four beards. (…) Harry and John were in love. Celia and I were sky-high” (p. 233). E assim, eles vivem o melhor de suas vidas (com altos e baixos) e nasce a filha de Evelyn, Connor Cameron. 

Na minha opinião, Evelyn teve uma vida muito sofrida. Não quis dar muitos detalhes, pois faço questão que vocês leiam o livro e sintam o prazer que tive de lê-lo. Mas, o que me deixa mais triste é ver que ela foi a última a morrer de todos que ela conhecia e de toda a sua família (sim, desde o começo do livro dá para perceber que a Connor morreu antes da mãe). Eu sou uma pessoa chorona, mas esse livro foi um tanto especial para mim, pois nunca chorei tanto. 

A parte que mais emociona (sim, no presente, pois ainda não superei) é a morte do Harry. O amor que existiu na amizade deles foi muito especial e a sensação de perda que a Evelyn sentiu se transmite muito ao leitor. 

Book Review: A Pequena Sereia – Louise O’Neill

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“Seu pai tem insistido em me chamar de “bruxa”. Este é simplesmente um termo que os homens dão às mulheres que não tem medo deles, às mulheres que se recusam à submissão” (p. 89)

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Este review possui informações super importantes que podem ser consideradas como spoiler, mas não revelarei o fim da história.

Esse livro é uma releitura da história da Pequena Sereia, que ficou muito famosa por conta do seu filme da Disney. Essa foi a primeira releitura que li e a achei muito boa. Os tópicos abordados por Louise O’Neill são de grande complexidade e ela conseguiu criar um universo novo e atual para o cenário do filme da Disney. Estou utilizando o filme como base, pois não li o conto de Hans Christian Andersen. 

Achei incrível como muitos pontos (até sem sentido) da história original (filme), fazem mais sentido nessa releitura. Nessa versão, a princesa se chama Gaia e as sereias vivem sobre a monarquia absolutista do Rei dos Mares. Nessa monarquia, ele é o dono da verdade e faz uma grande alienação para toda a sua população no sentido de vender a ideia de que é o ser mais poderoso do oceano e que a economia está boa (digo economia, mas no livro há a menção de que existe fome nos arredores do palácio real, fato negado pelo Rei). O Rei dos Mares também mostra uma postura racista (ao meu ver, mais uma vez) e busca uma certa uniformidade na aparência da sua população.

Todos que contestam o Rei dos Mares será penalizado, mas não o livro não demonstrou como tal pena funcionaria. O único exemplo que temos é a morte da mãe da Gaia, então esposa do Rei dos Mares. Mas esse ponto será discutido mais em breve. 

Esse livro tem uma abordagem feminista bastante crítica, pois o reino do pai de Gaia é extremamente machista. O machismo fica evidente no momento em que as mulheres não são autorizadas a emitir opiniões e são limitadas a serem bonitas, apenas. Ainda, o sucessor do reino apenas poderá ser um homem. Os casamentos das filhas do rei são arranjados e os maridos escolhidos pelo próprio rei. De acordo com o seu pai, Gaia estava destinada a casar com um homem idoso, enquanto ela tinha apenas 15 anos. 

Um fato curioso desse universo é de que as meninas “se tornam mulheres” quando fazem quinze anos e são autorizadas a nadar até a superfície, sendo proibido qualquer contato com humanos. Há bastante medo dos humanos, pois acredita-se que a rainha (mãe de Gaia) morreu capturada por eles. Mas depois descobrem que não foi verdade.

Assim que fez quinze anos, Gaia decidiu subir até a superfície e avistou um grupo de jovens adultos (eles tinham cerca de dezoito anos) e se apaixona por um deles. O garoto se chama Oliver e tem uma namorada, o que deixa Gaia bastante decepcionada. Durante um naufrágio do barco em que os jovens estavam, um grupo de sereias que comem humanos (um tipo diferente de sereia, pois essas teriam origem híbrida) pretendiam matar Oliver, mas Gaia impediu sugerindo para que matassem a namorada do rapaz. Assim, Oliver foi o único sobrevivente do naufrágio. 

Bastante decepcionada com o noivado arranjado por seu pai (sendo o noivo um idoso super nojento), ela decide ir até o reino da Bruxa do Mal. Esse reino é relativamente próximo do reino do Rei dos Mares, mas o livro o descreve como um ambiente sombrio e assustador. A bruxa é uma sereia chamada Ceto. Ela é gorda e possui uma calda preta com diversas perólas (o que era considerado como uma ostentação entre as sereias e considerado impróprio pelo rei). 

Gaia pede para que Ceto a torne humana a fim de se livrar dos seus problemas no mar e se casar com Oliver (agora solteiro após a morte de sua namorada causada indiretamente por Gaia). Ceto explica que há renúncias nessa escolha e que a magia não sai de graça, mas mesmo assim Gaia aceita cortar a sua língua (e perder a sua voz) e sentir uma dor insuportável toda vez que andasse com as suas pernas novas. 

Assim que chega à terra firme, ela conhece Oliver e ele se mostra interessado por ela. Ele oferece moradia e a apresenta para sua mãe Eleanor. A Eleanor é uma empresária brilhante que sempre administrou o negócio da família, mas que precisou sempre da presença de seu marido por conta dos investidores machistas que não a ouviam. O marido de Eleanor morreu após se jogar no mar em busca da mãe de Gaia, quando ainda estava viva. Nesse ponto da história que descobrem que o pai do garoto era o motivo pelo qual a mãe da Gaia sempre ia à superfície. 

De todo modo, Gaia vive com Oliver e vê que o rapaz trata a sua mãe de maneira muito má e que ele é bastante mimado. Não suficiente, todos os dias as pernas de Gaia de deformavam cada vez mais e sangravam horrores. Em uma festa, ele troca Gaia por uma cantora chamada Flora e ela se sente traída. Flora tinha a voz de Gaia e ela descobre que a mulher é na verdade Ceto disfarçada. Ceto se disfarçou para salvar Gaia do destino cruel com um homem que não a ama (que a trocou na primeira oportunidade) e que não estaria à sua altura. Ceto não consegue desfazer a magia e sugere outras opções para Gaia, que nunca mais será a mesma…