Book Review: “Noites brancas” de Fiódor Dostoiévski

Book Review: “Noites brancas” de Fiódor Dostoiévski

“O sonhador, caso seja necessária uma definição minuciosa para ele, não é uma pessoa, mas sim, sabe, uma espécie de criatura do gênero neutro. Na maior parte do tempo fica em algum canto inacessível, como se quisesse esconder-se até da luz do dia, e, caso se meta no seu reduto, adere a seu canto da mesma forma que um caracol ou, pelo menos, nesse aspecto, o sonhador se parece muito com aquele animal engraçado, que é animal e casa ao mesmo tempo e que chamam de tartaruga”.

DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Noites Brancas – Tradução de Rubens Figueiredo. Penguin-Companhia das Letras. São Paulo, 2018.

A obra é a última novela escrita por Dostoiévski antes da sua sentença à pena de morte, que foi afrouxada e se tornou uma reclusão em prisão na Sibéria. O escritor foi condenado por conspiração contra o Tsar. Esse ponto é importante para analisar a obra, pois ela faz parte da primeira fase do escritor, em que há maior sensibilidade no componente romântico.

As “noites brancas” são um fenômeno natural e ocorrem durante verão russo e faz com que escureça muito tarde e por pouco tempo (só fica “de noite” das 22hrs até 1h da manhã). As noites brancas permitem com que a gente sinta um pouco esse clímax entre sonho e realidade que o personagem principal vive.

A novela nos conta sobre um rapaz sonhador, sem nome, que conhece uma mulher, chamada Nástienka, em uma ponte em São Petersburgo durante o fenômeno natural das noites brancas. Antes mesmo do sonhador conhecer Nástienka, a narrativa nos mostra um pouco da relação que ele possui com a sua cidade.

Ele, por ser um rapaz solitário, sonha e fantasia sobre todos os aspectos e detalhes da cidade, como suas casas e a população. Rubens Figueiredo nos indica que essa percepção do personagem ocorre como uma crítica à drástica modernização do promovida pelo regime tsarista, que fez com que o próprio personagem se sentisse abandonado e com um vazio existencial.

Quando o sonhador conhece Nástienka, ele compartilha um pouco sobre si para ela falando sobre seus sonhos. Já a menina conta um pouco de sua vida e de um amor que a deixou e prometeu retornar. Ela e o sonhador fazem uma amizade, na qual apenas Nástienka não nutria sentimentos de amor. Essa incorrespondência deixa o sonhador bastante abalado, o que só piora quando o amado de Nástienka retorna à cidade.

Eu, como uma boa sagitariana com Netuno na Casa 1, me identifiquei bastante com o sonhador. Isso não é uma coisa necessariamente boa, porque eu fiquei com um pouco do vazio existencial dele e a sensação de perda de tempo. Doeu? sim, mas tornou a leitura dessa obra (que muita gente não gosta) até que especial para mim.

Não considerei “Noites brancas” como uma obra-prima do escritor, mas também não é um livro ao todo ruim. Se lesse a obra e não soubesse quem a escreveu, dificilmente acertaria que é uma obra de Dostoiévski. Acho que existem outros livros mais interessantes do escritor.

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