Book Review: “Anna Karênina” de Leon Tolstói

Book Review: “Anna Karênina” de Leon Tolstói

“Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras; Cada família infeliz está infeliz à sua maneira”

TOLSTÓI, Leon. Anna Karênina – Tradução de Oleg Almeida. São Paulo: Martin Claret, 2019.

Caso queira comprar o livro: Anna Kariênina

A obra “Anna Karênina” foi uma experiência única para mim por vários motivos, em especial, por ter lido em um grupo maravilhoso de Leitura Coletiva e também por ser essa obra tão genial de Tolstói.

Essa obra vai muito além do livro em si. Ela te mostra um pouco sobre os mais simples sentimentos humanos: amor, traição, crises existenciais, amadurecimento, saúde mental entre outros. Tolstói cria uma bela imersão para o leitor de todas as épocas: a gente consegue se sentir na Rússia Imperial e como parte da própria obra. Os personagens são descritos pela perspectiva dos outros, na medida em que ser algo é muito além da descrição de um narrador – então basta que a gente conheça alguém como já conhecemos na nossa vida cotidiana.

Todos os personagens são extremamente complexos. Não existe um personagem sequer que seja raso nesse livro. É uma própria obra de arte e que dá prazer em ler.

A obra nos conta um pouco sobre Anna Karênina, uma mulher aristocrata, que encontra o amor dos sonhos com um rapaz conhecido como Vrônski. Mas, como nem tudo são flores, Anna é casada e começa a ser ostratizada da sociedade ao se relacionar com o amante.

Ao meu ver, Anna é uma grande denúncia de Tolstói sobre a condição da mulher na sociedade. Toda a solidão e complexidade que a Anna se encontra acaba com a saúde mental e faz a gente entender um pouco das dificuldades da mulher russa na época.

De outro lado, temos Lióvin. Ele é um personagem que tem muitas características do escritor e vive em uma crise existencial. Ele se questiona da sua posição de privilégio e a situação dos mujiques (camponeses pobres), bem como outros pontos profundos como a existência de Deus e o que é fé.

A história de Anna e Lióvin se interconecta em algumas partes da obra. A conexão é maior por conta do amor que Lióvin sente por Kitty (irmã da cunhada de Anna). Mas não vou me prolongar por aqui, porque temo dar algum spoiler para você.

Esse livro é o meu novo predileto da vida e espero que possa ser um grande querido seu também! Fica a indicação dessa obra que me enche o coração (só de escrever até aqui).

Book Review: “A Morte de Ivan Ilitch” de Leon Tolstói

Book Review: “A Morte de Ivan Ilitch” de Leon Tolstói

“Ultimamente, na solidão em que se encontrava, deitado com o rosto virado para as costas do sofá, solidão no meio de uma cidade superpovoada e rodeado de inúmeros conhecidos – solidão mais completa do que qualquer outra, seja no fundo do mar ou no centro da Terra -, nessa assustadora solidão, Ivan Ilitch vivia somente das lembranças do passado”.

TOLSTÓI, Leon. “A Morte de Ivan Ilitch”. Página 66.

Esse livro foi o meu primeiro contato com a obra de Tolstói e fiquei apaixonada. “A Morte de Ivan Ilitch” foi publicado em 1886 e é considerado como uma das obras-primas da literatura. Se tiver interesse em comprar a obra: A morte de Ivan Ilitch

O livro trata muito da questão de viver a vida de acordo com valores dignos e não de “aparências” como Ilitch viveu. O modo de vida de Ilitch é uma crítica à superficialidade e hipocrisia da alta sociedade. Essa parte me lembrou bastante a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis. “A história de Ivan Ilitch foi das mais simples, das mais comuns e portanto das mais terríveis” (página 12).

Importante dizer que o livro foi escrito após a conversão religiosa de Tolstói, que recebeu uma carta escrita à lápis de Tugueniev. Tugueniev, que estava sem forças para empunhar uma pena em seu leito de morte, escreve “por favor, volte à literatura, você não tem o direito de privar a humanidade de seu talento imaginativo”. Logo após o recebimento da carta de seu amigo, Tolstói escreve “A Morte de Ivan Ilitch”, uma pequena novela e que reflete sobre a finitude humana.

O livro começa com a narração do velório de Ivan Ilitch, um juiz do Tribunal de Justiça bastante ambicioso e que morrera de uma doença no apêndice ou rim. No começo da história, nos é apresentado Piotr Ivanovich, que foi um colega de Ivan Ilitch na faculdade de Direito e no Tribunal. Ivanovich é considerado como o amigo mais próximo de Ilitch, mas não sente vontade alguma de ir até o velório. Não obstante, além de não ter vontade de ir ao velório ainda fica chateado por ter perdido a chance de jogar cartas com os colegas.

Ninguém realmente ligava para a morte de Ilitch, pois todos os convidados no velório estavam mais preocupados com quem assumirá o seu cargo no Tribunal de Justiça do que com o próprio morto.

O fato de Ivan Ilitch ter sido um burocrata a vida inteira ilustra bem a ideia de uma vida “automatizada” e sem grandes propósitos, estando estagnado naquele ambiente: “Essa arte de separar tão bem a vida oficial da vida real Ivan Ilitch possuía no mais alto grau e a prática associada ao talento natural tinha-o feito desenvolver esse talento a tal ponto de perfeição que muitas vezes, como os virtuoses, ele até se permitia, por um breve momento, mesclar suas relações humanas com as oficiais” (Página 27).

Ao decorrer da leitura, conhecemos Ivan Ilitch e toda a sua trajetória de vida. Após um acidente que faz com que ele machuque na região do rim, Ivan Ilitch acredita ter contraído uma doença no rim ou apêndice. Conforme o tempo passa, o seu ferimento se torna pior. O seu único prazer se tornou a companhia do filho, de apenas 14 anos, e de um criado seu, por entender que estes jamais lhe mentiriam.

É possível sentir a angústia e toda a mágoa que Ivan Ilitch sente no seu leito de morte. A parte que mais me chamou a atenção foi como “dói” ver a vida dos outros seguindo em frente enquanto a dele estava em seu fim. “Essa falsidade em volta e até mesmo dentro dele, mais do que qualquer outra coisa, envenenou os últimos dias de Ivan Ilitch” (Página 53).

Esse livro é incrível e faz reflexões bastante profundas sobre a brevidade e sentido da vida humana.