Book Review: “O eterno marido” de Fiódor Dostoiévski

Book Review: “O eterno marido” de Fiódor Dostoiévski

“O eterno marido” foi escrito por Dostoiévski em um período de já maturidade do autor (1870). Escolhi essa obra para ser lida depois de “O jogador” e antes de “Crime e castigo”. Essa ordem foi totalmente aleatória, mas que prejudicou muito a minha leitura, como vocês verão a seguir.

Eu terminei “O jogador”, que é uma obra curta e brilhante do escritor, que tem seu próprio tom de ironia e é extremamente divertida. “O eterno marido” também é visto por muitos como uma obra curta e divertida, então, para mim, foi inevitável fazer comparações.

O enredo é muito bom e surpreendente. A obra nos conta sobre o encontro de Pável Pávlovitch (o eterno marido) e Vieltchâninov, ex-amante de falecida esposa de Pávlovitch. Conforme a leitura, você acaba “entrando” um pouco no personagem de Vieltchâninov, pois a perspectiva da realidade da obra gira toda em torno da dele – isso fez com que eu sentisse um nojo extremo do Pávlovitch, assim como Vieltchâninov sentia.

Acho que Pávlovitch foi um dos personagens mais babacas que li nesse ano todo, mas não irei revelar os motivos por conta de spoilers. Outro ponto interessante foi a definição de “eterno marido”, que é um termo usado por Vieltchâninov:

“Em sua opinião, a essência de tais maridos consiste em serem na vida, digamos assim, “eternos maridos”, ou melhor, apenas maridos e mais nada”.

DOSTOIÉVSKI, Fiodor. o eterno marido – tradução de rubens figueiredo. Companhia das letras. São Paulo, 2018. Loc. 724 no kindle oasis.

É um livro que vale a leitura. Não senti que foi uma leitura prazerosa e acho que estava longe de ser as obras-primas que conhecemos de Dostoievski. Vale a leitura, desde que sem comparações com outras obras do mesmo escritor.

Book Review: “Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha” de Liudmila Petruchévskaia

Book Review: “Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha” de Liudmila Petruchévskaia

“A morte anda por onde não há juiz – e a morte se instalou na cidade. Gente espancada morria, na rua ou na famosa floresta do Paraíso, e não havia julgamentos ou investigações. Todos tinham medo de buscar a verdade, ninguém se queixava por roubo ou furto. porque as próprias pessoas que haviam apresentado a queixa eram presas e levadas para fora da cidade”.

PETRUCHÉVSKAIA, Liudmilla. Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha – Tradução de Cecília Rosas. Companhia das Letras. São Paulo, 2013. Página 144.

Pensa em contos russos, curtos e de terror super bons. Se você parou para pensar, com certeza deve ter lembrado da Liudmila Petruchévskaia! Que livro interessante.

Vale recordar que Liudmila foi muito censurada pelo regime da União Soviética, além de ser, atualmente, uma das escritoras contemporâneas mais proeminentes da Rússia e uma das escritores mais aclamadas de todo o leste europeu, sendo considerada uma das melhores escritores russas vivas (comparada à Poe e Gógol).

Como ela era muito censurada, você não vai encontrar palavras como “comunismo” na obra, mas sim uma descrição completa da situação de pobreza e solidão que as pessoas viviam durante o período soviético. Eu senti que a questão do machismo e angústias femininas aparecem bastante em alguns contos.

O livro é um conjunto de contos curtos de terror e com uma forte pegada política. Ele é dividido em 4 partes: Canções dos eslavos do leste, alegorias, réquiens e contos de fadas. Você consegue notar que a escritora tenta recuperar muitos elementos do folclore/contos de fada russo e trata de questões sinistras que muita gente pode se identificar (como aquela sensação de Poltergeist dentro de casa quando se está sozinho…).

São contos realmente assustadores e com finais bastante surpreendentes. Aquela sensação de ler os grandes clássicos russos permanece por conta da escrita de Liudmilla, só que se torna bastante especial ao tratar de temas do nosso mundo atual.

Os meus contos prediletos foram: “A vingança”, “Higiene”, “Tem alguém em casa”, “A menina nariz” e “O segredo de Marilena”. Esses contos falam da relação de duas vizinhas (na qual uma delas quer matar o bebê da outra), de magia envolvendo um nariz horrível em uma mulher e uma maldição que juntou duas bailarinas em uma só pessoa.

Eu indico para todo mundo que quer conhecer uma escritora russa super boa e que curte sentir um medo na leitura.